Por: Alfredo Júnior
O comandante distrital da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Chinde, na província da Zambézia, encontra-se detido no âmbito de uma investigação conduzida pelo Ministério Público que envolve igualmente dois cidadãos estrangeiros, um de nacionalidade portuguesa e outro chinesa.
A detenção foi confirmada esta quarta-feira, 20 de Agosto, pela porta-voz do Comando Provincial da PRM na Zambézia, Belarmina Henriques, durante uma conferência de imprensa. Segundo a polícia, o oficial foi detido no distrito de Mocuba, embora as autoridades tenham evitado revelar, nesta fase, os factos concretos que estão na origem do processo.
“Confirmamos a detenção de um membro da Polícia da República de Moçambique no distrito de Mocuba. Continuamos a trabalhar para aferir o seu grau de envolvimento nos factos em investigação”, afirmou Belarmina Henriques, acrescentando que foi constituída uma equipa de inquérito para apurar os elementos relacionados com o caso.
As detenções foram efectuadas sob orientação do Ministério Público, que assumiu a gestão do processo. Por essa razão, a PRM afirma não estar, para já, em condições de avançar detalhes sobre a natureza da investigação ou sobre as eventuais acusações que poderão ser imputadas aos envolvidos.
Além do comandante distrital de Chinde, encontram-se envolvidos no processo um cidadão português e outro de nacionalidade chinesa. As autoridades não divulgaram as identidades dos dois estrangeiros nem esclareceram qual seria a ligação entre os três detidos e os factos sob investigação.
A informação sobre a data exacta da detenção apresenta, entretanto, versões diferentes entre as fontes consultadas. Enquanto a agência Lusa, citando a confirmação da PRM, refere que os três foram detidos na terça-feira, outros órgãos de comunicação moçambicanos indicam que a detenção terá ocorrido nos últimos dias ou que o comandante já se encontrava detido antes da confirmação pública desta quarta-feira. A PRM, na conferência de imprensa, não esclareceu o momento exacto da detenção.
Informações divulgadas por alguns órgãos de comunicação apontam para suspeitas relacionadas com associação criminosa, exploração ilegal de recursos minerais e furto agravado. No entanto, estes elementos não foram confirmados oficialmente pela PRM nem pelo Ministério Público. A porta-voz da polícia escusou-se a comentar as alegações, invocando o segredo de justiça e o facto de o processo estar sob responsabilidade da Procuradoria.
O caso surge numa altura em que as autoridades de justiça têm vindo a anunciar investigações e detenções envolvendo membros das forças de defesa e segurança por suspeitas de práticas ilícitas. Esta semana, o Gabinete Central de Combate à Corrupção informou que, no primeiro semestre do ano, pelo menos nove agentes das forças policiais foram detidos e processados em casos relacionados, entre outros, com corrupção passiva, abuso de cargo e prisão ilegal.
Para já, a investigação sobre o comandante distrital de Chinde permanece sob sigilo. O principal ponto confirmado oficialmente é que o oficial e os dois cidadãos estrangeiros estão ligados a um processo sob orientação do Ministério Público, estando ainda por esclarecer a natureza das suspeitas e o eventual grau de responsabilidade de cada um dos envolvidos.







