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Compraste um carregador barato? Pode sair-te muito caro

Resumo

O carregador original avariou-se ou ficou esquecido no hotel, e a solução parece óbvia: há dezenas de carregadores a três ou quatro euros nas feiras e nos marketplaces online Carregam na mesma, certo Carregar, carregam O problema é tudo o resto E convém que saibas o que estás realmente a meter na tomada da tua casa e a ligar ao teu telemóvel se compraste um carregador barato Um carregador não é um simples cabo com uma ficha É uma pequena fonte de alimentação que converte os 230 volts da tomada em cerca de 5 a 20 volts, controlados ao milímetro, para alimentar o telemóvel Fazer essa conversão de forma segura exige componentes de qualidade, isolamento adequado entre a parte de alta tensão e a parte que toca no teu telemóvel, e proteções contra sobreaquecimento, picos de corrente e curto-circuitos É exatamente aí que os carregadores muito baratos cortam custos Análises e desmontagens feitas ao longo dos anos a carregadores genéricos de baixo custo têm revelado padrões preocupantes: componentes subdimensionados, isolamento insuficiente e proteções que simplesmente não existem Por fora, são quase idênticos aos originais Por dentro, a diferença pode ser abismal Sejamos justos: a maioria dos carregadores baratos não vai explodir na primeira utilização O risco é mais sorrateiro do que isso O primeiro alvo é a bateria do telemóvel Um carregador que entrega tensão instável ou “suja” obriga os circuitos de carregamento do telemóvel a trabalhar fora das condições ideais, e a bateria vai pagando essa fatura aos poucos, degradando-se mais depressa do que devia O segundo risco é o sobreaquecimento Um carregador sem proteções adequadas, deixado a carregar durante a noite em cima da mesinha de cabeceira, eventualmente tapado por um livro ou pela almofada, é um cenário que já resultou em incidentes domésticos um pouco por todo o lado Não é histeria: é física Componentes baratos a trabalhar no limite geram calor, e calor sem controlo é sempre má notícia E há ainda o risco elétrico direto: em carregadores de qualidade duvidosa, o isolamento entre a tomada e o cabo USB pode ser tão fraco que, em caso de falha, a alta tensão chega literalmente ao conector que tens na mão Entretanto a boa notícia é que não precisas de comprar sempre o carregador original da marca, que costuma ser o mais caro Marcas de acessórios conhecidas fazem carregadores excelentes por preços razoáveis O que precisas é de saber separar o trigo do joio Primeiro sinal: a marcação CE e as informações do fabricante Um carregador legítimo vendido na Europa tem identificação clara do fabricante, modelo e especificações Atenção que a marcação pode ser falsificada, por isso não é garantia absoluta, mas a sua ausência é desqualificação imediata Segundo sinal: o peso e a construção Componentes de qualidade pesam Um carregador suspeitosamente leve, com plásticos que rangem e ficha que abana, está a dizer-te tudo o que precisas de saber Terceiro sinal: o preço face à potência prometida Um carregador que promete 65W de carregamento rápido por cinco euros está, muito provavelmente, a mentir na potência, a poupar na segurança, ou ambas E o teste do dia-a-dia: se o teu carregador aquece ao ponto de ser desconfortável ao toque, faz ruídos, ou o telemóvel mostra avisos de acessório não suportado, reforma-o já Um carregador de marca decente custa entre dez e vinte euros e dura anos A alternativa barata custa quatro, mas pode levar-te uma bateria de substituição, ou muito pior Há poupanças que são investimento e outras que são apenas risco adiado Esta é claramente do segundo tipo Fonte: Zero Zero

O carregador original avariou-se ou ficou esquecido no hotel, e a solução parece óbvia: há dezenas de carregadores a três ou quatro euros nas feiras e nos marketplaces online. Carregam na mesma, certo? Carregar, carregam. O problema é tudo o resto. E convém que saibas o que estás realmente a meter na tomada da tua casa e a ligar ao teu telemóvel se compraste um carregador barato.

Um carregador não é um simples cabo com uma ficha. É uma pequena fonte de alimentação que converte os 230 volts da tomada em cerca de 5 a 20 volts, controlados ao milímetro, para alimentar o telemóvel. Fazer essa conversão de forma segura exige componentes de qualidade, isolamento adequado entre a parte de alta tensão e a parte que toca no teu telemóvel, e proteções contra sobreaquecimento, picos de corrente e curto-circuitos.

É exatamente aí que os carregadores muito baratos cortam custos. Análises e desmontagens feitas ao longo dos anos a carregadores genéricos de baixo custo têm revelado padrões preocupantes: componentes subdimensionados, isolamento insuficiente e proteções que simplesmente não existem. Por fora, são quase idênticos aos originais. Por dentro, a diferença pode ser abismal.

Sejamos justos: a maioria dos carregadores baratos não vai explodir na primeira utilização. O risco é mais sorrateiro do que isso.

O primeiro alvo é a bateria do telemóvel. Um carregador que entrega tensão instável ou “suja” obriga os circuitos de carregamento do telemóvel a trabalhar fora das condições ideais, e a bateria vai pagando essa fatura aos poucos, degradando-se mais depressa do que devia.

O segundo risco é o sobreaquecimento. Um carregador sem proteções adequadas, deixado a carregar durante a noite em cima da mesinha de cabeceira, eventualmente tapado por um livro ou pela almofada, é um cenário que já resultou em incidentes domésticos um pouco por todo o lado. Não é histeria: é física. Componentes baratos a trabalhar no limite geram calor, e calor sem controlo é sempre má notícia.

E há ainda o risco elétrico direto: em carregadores de qualidade duvidosa, o isolamento entre a tomada e o cabo USB pode ser tão fraco que, em caso de falha, a alta tensão chega literalmente ao conector que tens na mão.

Entretanto a boa notícia é que não precisas de comprar sempre o carregador original da marca, que costuma ser o mais caro. Marcas de acessórios conhecidas fazem carregadores excelentes por preços razoáveis. O que precisas é de saber separar o trigo do joio.

Primeiro sinal: a marcação CE e as informações do fabricante. Um carregador legítimo vendido na Europa tem identificação clara do fabricante, modelo e especificações. Atenção que a marcação pode ser falsificada, por isso não é garantia absoluta, mas a sua ausência é desqualificação imediata.

Segundo sinal: o peso e a construção. Componentes de qualidade pesam. Um carregador suspeitosamente leve, com plásticos que rangem e ficha que abana, está a dizer-te tudo o que precisas de saber.

Terceiro sinal: o preço face à potência prometida. Um carregador que promete 65W de carregamento rápido por cinco euros está, muito provavelmente, a mentir na potência, a poupar na segurança, ou ambas.

E o teste do dia-a-dia: se o teu carregador aquece ao ponto de ser desconfortável ao toque, faz ruídos, ou o telemóvel mostra avisos de acessório não suportado, reforma-o já.

Um carregador de marca decente custa entre dez e vinte euros e dura anos. A alternativa barata custa quatro, mas pode levar-te uma bateria de substituição, ou muito pior. Há poupanças que são investimento e outras que são apenas risco adiado. Esta é claramente do segundo tipo.

 

Fonte: Zero Zero

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