Maputo, 08 de Julho de 2026 (AIM) – A Dangote Industries Limited, maior grupo industrial da Nigéria, confirmou esta semana que o Quénia foi o país escolhido para acolher a refinaria de petróleo que pretende construir na África Oriental.
O projecto representa um dos maiores investimentos privados alguma vez anunciados para o sector energético da região e deverá transformar o Quénia num importante centro de refinação de combustíveis. Escreve Africa Global News.
A futura refinaria terá capacidade para processar 700 mil barris de petróleo bruto por dia. A produção destina-se a abastecer o Quénia, Uganda, Tanzânia, Sudão do Sul e outros mercados da África Oriental, reduzindo a forte dependência da região em relação à importação de combustíveis refinados.
O anúncio foi feito por Devakumar Edwin, vice-presidente do Grupo de Petróleo e Gás da Dangote Industries. Segundo o responsável, o projecto integra a estratégia de expansão da empresa no sector da refinação em África.
Com esta iniciativa, a Dangote pretende elevar a sua capacidade total de refinação para 2,1 milhões de barris por dia, dos quais 1,4 milhão serão processados na Nigéria e 700 mil no Quénia.
O investimento está avaliado entre 15 e 17 mil milhões de dólares, tornando-se um dos maiores projectos industriais privados alguma vez propostos na África Oriental.
Inicialmente, a empresa estudava a possibilidade de instalar a refinaria no porto de Tanga, na Tanzânia. No entanto, após uma análise das condições logísticas e do mercado regional, optou pelo Quénia, devido à sua melhor infra-estrutura, maior mercado consumidor de combustíveis, modernos portos marítimos e posição estratégica como porta de entrada comercial para a África Oriental.
Em declarações anteriores, o presidente e director executivo da Dangote Industries, Aliko Dangote, indicou Mombaça como o local preferido para acolher a refinaria, graças ao seu porto de águas profundas e à infra-estrutura petrolífera já existente. Contudo, Lamu continua igualmente em análise e a localização definitiva ainda não foi anunciada.
A refinaria será concebida para processar petróleo proveniente de vários países da região, incluindo Uganda, Sudão do Sul, Quénia e República Democrática do Congo, garantindo o fornecimento de combustíveis refinados a toda a África Oriental.
Actualmente, apesar do crescimento da produção de petróleo em vários países da região, a maior parte dos combustíveis consumidos continua a ser importada. Esta dependência expõe os países às oscilações dos preços internacionais, às interrupções no abastecimento e aos elevados custos de transporte.
A entrada em funcionamento da refinaria deverá reduzir significativamente estas vulnerabilidades, reforçar a segurança energética da região e diminuir os custos de distribuição de combustíveis. O projecto deverá ainda impulsionar investimentos em armazenamento de petróleo, oleodutos, logística, indústria petroquímica e fabrico de produtos derivados.
Espera-se igualmente a criação de milhares de postos de trabalho durante as fases de construção e operação, reforçando o papel do Quénia como principal plataforma logística e industrial da África Oriental.
O novo empreendimento surge na sequência do sucesso da refinaria da Dangote na Nigéria, localizada nas proximidades de Lagos, considerada a maior refinaria de processo único do mundo. Desde o início da produção comercial, em 2024, a unidade reduziu significativamente as importações de combustíveis pela Nigéria e aumentou as exportações de produtos refinados para diversos países africanos.
Recentemente, a refinaria ultrapassou a sua capacidade inicialmente prevista, processando mais de 700 mil barris por dia. A empresa pretende elevar este volume para 1,4 milhão de barris diários nos próximos 30 meses.
O projecto no Quénia faz parte de um plano mais amplo de expansão continental. A Dangote anunciou a intenção de investir mais 46 mil milhões de dólares entre 2026 e 2028 nos sectores da refinação, fertilizantes e cimento. O grupo prevê ainda instalar cerca de 20 fábricas de mistura de fertilizantes em vários países africanos, com o objectivo de reforçar a segurança alimentar e aumentar a produtividade agrícola.
Antes do início da construção, contudo, será necessário concluir várias etapas, entre as quais as aprovações ambientais, a aquisição dos terrenos, a mobilização do financiamento e a assinatura dos acordos com o Governo queniano.
Quando estiver concluída, a refinaria deverá figurar entre os maiores complexos industriais de África e poderá alterar profundamente o panorama energético da África Oriental. Mais do que um grande investimento, o projecto simboliza uma tendência crescente no continente: empresas africanas apostam cada vez mais na transformação local dos seus recursos naturais, acrescentando valor às matérias-primas antes da sua exportação.
(AIM)
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Fonte: aimnews






