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Dólar prepara maior subida semanal em mais de um ano com guerra no Médio Oriente a reforçar procura por activos de refúgio

[ai_summary timestamp="06/03/2026 às 11:30" summary="A escalada do conflito entre os EUA e o Irão está a impulsionar o preço do petróleo, reacendendo receios inflacionistas e alterando as expectativas de cortes de juros nas principais economias. A guerra no Médio Oriente está a aumentar a procura global por ativos de refúgio, levando a uma reconfiguração nos mercados financeiros globais e fortalecendo o dólar norte-americano. A valorização do dólar é a mais alta em mais de um ano, devido às tensões entre os EUA e o Irão. A subida dos preços do petróleo está a alimentar receios inflacionistas, podendo pressionar custos de produção e preços ao consumidor. A crise geopolítica também está a mudar as expectativas de política monetária, com investidores a antecipar possíveis cortes de juros nos EUA apenas em setembro ou outubro. Nos mercados europeus, as apostas em cortes de juros no Reino Unido diminuíram, enquanto na zona euro aumentaram as expectativas de subidas de taxas pelo Banco Central Europeu ainda este ano."]
Escalada do conflito entre EUA e Irão impulsiona petróleo, reacende receios inflacionistas e altera expectativas sobre cortes de juros nas principais economias

Guerra no Médio Oriente reacende procura global por activos de refúgio

A escalada militar no Médio Oriente está a provocar uma reconfiguração significativa nos mercados financeiros globais, reforçando a procura por activos considerados seguros e impulsionando a valorização do dólar norte-americano.

Nos mercados cambiais, a moeda norte-americana encaminha-se para a maior valorização semanal em mais de um ano, à medida que investidores procuram refúgio perante a intensificação das tensões entre os Estados Unidos e o Irão. O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda face a um cabaz de seis divisas principais, registava cerca de 99 pontos nas primeiras horas da sessão asiática de sexta-feira, mantendo-se em trajectória para uma valorização semanal de cerca de 1,4%, a mais elevada desde Novembro de 2024.

A valorização ocorre num contexto de crescente instabilidade geopolítica, depois de ataques aéreos conduzidos pelos Estados Unidos e Israel contra alvos no Irão e de uma retórica cada vez mais agressiva entre Washington e Teerão.

Autoridades iranianas advertiram que os Estados Unidos “lamentariam amargamente” o afundamento de um navio de guerra iraniano, episódio que marcou um novo patamar de escalada no conflito.

Petróleo em alta reacende receios inflacionistas globais

A crise geopolítica está igualmente a repercutir-se nos mercados energéticos, com a subida dos preços do petróleo a alimentar receios de uma nova vaga inflacionista.

O encarecimento da energia levanta preocupações sobretudo nas economias dependentes de importações de petróleo, podendo pressionar custos de produção, transporte e preços ao consumidor.

Analistas de mercado alertam que uma persistência da actual intensidade do conflito poderá traduzir-se num ciclo de inflação mais elevado e prolongado. Segundo Tony Sycamore, analista da IG, a continuidade da crise poderá significar “inflação mais elevada, um dólar mais forte e uma probabilidade muito menor de cortes de juros pela Reserva Federal”.

A relação entre petróleo e inflação tem sido particularmente sensível desde a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, quando choques energéticos provocaram uma escalada dos preços globais.

Mercados reajustam expectativas sobre política monetária

A evolução do conflito também está a alterar as expectativas dos mercados relativamente à trajectória das taxas de juro nas principais economias.

Nos Estados Unidos, investidores passaram a antecipar que eventuais cortes de juros pela Reserva Federal poderão ocorrer apenas em Setembro ou Outubro, adiando as previsões anteriores de flexibilização monetária mais cedo no ano.

No Reino Unido, os mercados reduziram igualmente as apostas em cortes de juros, enquanto na zona euro aumentaram as expectativas de que o Banco Central Europeu possa avançar com novas subidas de taxas ainda este ano, caso as pressões inflacionistas se intensifiquem.

Este reajustamento das expectativas tem sido visível também nos mercados obrigacionistas, onde as curvas de taxas implícitas passaram por uma reavaliação significativa nos últimos dias.

Euro e yen pressionados pela valorização do dólar

Enquanto o dólar ganha força, outras moedas importantes permanecem sob pressão.

O euro negociava próximo de 1,1612 dólares, praticamente estável, enquanto o yen japonês permanecia fragilizado, situando-se em torno de 157,5 yen por dólar.

A libra esterlina também registava movimentos limitados, reflectindo o clima de cautela generalizada nos mercados cambiais.

Apesar da turbulência financeira, alguns activos tradicionalmente considerados refúgio — como o ouro — têm apresentado movimentos mais voláteis do que o habitual, reabrindo o debate sobre qual instrumento oferece maior protecção em períodos de instabilidade global.

O dólar volta a afirmar-se como refúgio em tempos de crise

Nos últimos meses, o estatuto do dólar como principal activo de refúgio havia sido colocado em causa, sobretudo após episódios de volatilidade associados a disputas comerciais e tensões geopolíticas.

No entanto, os acontecimentos desta semana parecem ter restaurado, pelo menos temporariamente, essa percepção.

Dados de fluxo financeiro indicam que investidores estão a privilegiar liquidez em dólares de curto prazo, em vez de outros activos denominados na moeda norte-americana.

Além disso, o facto de os Estados Unidos serem actualmente um exportador líquido de energia pode reforçar o desempenho da moeda em momentos de subida dos preços do petróleo.

Geopolítica volta a dominar a narrativa económica global

Com os mercados globais atentos ao desenvolvimento da guerra no Médio Oriente, a trajectória do dólar e dos activos financeiros nas próximas semanas dependerá em grande medida da evolução do conflito.

Analistas consideram provável que a valorização da moeda norte-americana se mantenha enquanto persistirem prémios de risco elevados nos mercados energéticos e financeiros.

Num contexto global já marcado por desaceleração económica e tensões comerciais, a actual crise geopolítica surge como mais um factor de incerteza para governos, bancos centrais e investidores.

Fonte: O Económico

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