InícioNacionalSociedadeEventos climáticos comprometem segurança alimentar e nutricional em Gaza

Eventos climáticos comprometem segurança alimentar e nutricional em Gaza

Resumo

A província de Gaza enfrentou um agravamento na segurança alimentar e nutricional devido a eventos climáticos extremos, como inundações e o ciclone Gezani, durante o primeiro trimestre de 2026. A governadora Margarida Mapandzene destacou que as cheias e inundações causaram perdas agrícolas, destruição de infraestruturas e dificuldades de acesso a alimentos e serviços básicos. A falta de dados quantitativos impede a classificação precisa das pessoas em insegurança alimentar. As autoridades locais e parceiros humanitários estão a implementar ações de resposta de emergência, incluindo distribuição de alimentos, apoio agrícola e vigilância nutricional. A relatora Leonor Neves Mondlane elogiou a resiliência da população e das instituições locais, destacando os esforços de reconstrução em curso. Os deputados da Assembleia da República contribuíram com um dia de salário para apoiar as vítimas.

A província de Gaza registou um agravamento significativo da segurança alimentar e nutricional durante o primeiro trimestre de 2026, em consequência dos eventos climáticos extremos que afectaram aquele ponto do País, com destaque para as inundações, cheias e a passagem do ciclone Gezani.

A informação foi tornada pública pela governadora provincial, Margarida Mapandzene, durante uma reunião de trabalho com um grupo de deputados da Comissão da Agricultura, Economia e Ambiente (CAEA) da Assembleia da República que se encontra desde domingo na cidade de Xai-Xai, no âmbito da fiscalização parlamentar da acção governativa.

Segundo Mapandzene, os fenómenos climáticos comprometeram seriamente os meios de subsistência das famílias e causaram impactos negativos em todas as dimensões da segurança alimentar, nomeadamente a disponibilidade, o acesso, a utilização adequada e a estabilidade do abastecimento alimentar.

De acordo com a governadora de Gaza, as cheias e inundações provocaram perdas de culturas agrícolas, destruição de infra-estruturas e dificuldades de circulação, factores que limitaram o acesso das comunidades aos alimentos e aos serviços básicos.

“Actualmente, não existe informação quantitativa pós-choque nem dados actualizados suficientes para determinar o número exacto de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda e proceder à respectiva classificação segundo a Classificação Integrada das Fases de Segurança Alimentar (IPC)”, explicou Mapandzene.

A governante acrescentou que as autoridades províncias e os seus parceiros humanitários se encontram a implementar diversas acções de resposta à emergência, visando reduzir os impactos da crise sobre as populações afectadas, destacando-se a distribuição de bens alimentares e materiais de recuperação, a distribuição de insumos agrícolas para apoiar a produção da 2ª época da Campanha Agrícola 2025/2026, reforço da vigilância nutricional nas Unidades Sanitárias.

Na ocasião, a governadora de Gaza apelou à continuidade do apoio multissectorial e à mobilização de recursos para reforçar a assistência às famílias afectadas e acelerar os esforços de recuperação nas zonas mais vulneráveis.

Por seu turno, a relatora da CAEA, Leonor Neves Mondlane, afirmou que as cheias, inundações e ciclones, aliados aos problemas de desembolso reportados durante o encontro, afectaram severamente a província, destacando a elevada capacidade de recuperação e resiliência demonstrada pela população e pelas instituições locais.

“Queremos também sublinhar que, quando percorremos parte da província, vimos  uma realidade diferente daquela que esperávamos após tamanha destruição. Não parece que esta zona tenha sofrido uma cheia tão severa”, disse a deputada, destacando que o cenário de Gaza evidencia o forte esforço de reconstrução levado a cabo pelas autoridades, tendo em conta a dimensão dos danos causados por estes fenómenos.

A relatora da CAEA considerou, igualmente, satisfatórios os avanços registados na alocação de insumos agrícolas para o reforço do apoio à produção agrícola, recordando que os deputados da Assembleia da República se mobilizaram, num espírito de solidariedade, contribuindo com um dia de salário em apoio às pessoas afectadas.

Fonte: O País

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