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Governo alerta que sem património documental físico não haverá transformação digital dos arquivos

Resumo

O Ministro da Administração Estatal e Função Pública de Moçambique, Inocêncio Impissa, alertou para a importância da preservação dos arquivos físicos para o sucesso da digitalização dos arquivos públicos no país. A falta de pessoal especializado tem dificultado a transição para sistemas eletrónicos, levando à necessidade de investimento na formação de técnicos. Em Nampula, a capacitação de funcionários das conservatórias em inserção de documentos em plataformas eletrónicas está em curso, visando preservar a informação e evitar a perda da memória institucional. Impissa sublinhou que a modernização dos serviços públicos depende da qualidade dos arquivos físicos, salientando que a digitalização é uma extensão do trabalho realizado nos arquivos convencionais e não uma substituição. O Governo comprometeu-se a fortalecer a gestão documental e a preservação da memória coletiva do país, reconhecendo a importância dos arquivos físicos para o sucesso do arquivo digital.

Maputo, 09 Jun (AIM) – A ambição de digitalizar os arquivos públicos em Moçambique poderá ficar comprometida sem a preservação e organização adequada dos documentos físicos, alertou hoje o Ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa,

Defendeu investimentos urgentes na formação de técnicos e na salvaguarda do património documental do Estado.

O governante falava na cidade de Nampula, durante uma visita ao Arquivo da Conservatória do Registo Civil Provincial, realizada no âmbito das celebrações do Dia Mundial dos Arquivos, assinalado esta segunda-feira.

A preocupação surge numa altura em que várias instituições públicas enfrentam dificuldades para assegurar a gestão documental e a transição para sistemas electrónicos, devido à escassez de pessoal especializado.

Durante a visita, o Director Provincial da Justiça e Trabalho de Nampula, Cachimo Raul, manifestou apreensão quanto à limitada capacidade técnica existente no sector, sublinhando que a província dispõe actualmente de apenas um técnico especializado em matéria de arquivos, entretanto transferido para outras funções.

Segundo explicou, decorre um processo de capacitação envolvendo funcionários das conservatórias da província, em parceria com a Delegação Provincial de Estatística, com o objectivo de reforçar as competências na inserção de documentos em plataformas electrónicas.

“Estamos a trabalhar na formação dos nossos colegas em todas as conservatórias da província de Nampula para garantir a correcta inserção dos documentos no sistema electrónico. É um passo fundamental para preservar a informação e evitar a perda da memória institucional”, afirmou Cachimo Raul.

O responsável acrescentou que equipas técnicas encontram-se igualmente destacadas nos distritos para acelerar o processo de digitalização dos registos existentes.

Perante estas preocupações, Inocêncio Impissa reconheceu a urgência da situação e reiterou que a modernização dos serviços públicos depende directamente da qualidade dos arquivos físicos.

“Os arquivos são essenciais. O sucesso do arquivo digital que pretendemos construir depende do arquivo físico. Se os documentos físicos não estiverem organizados e completos, o arquivo digital simplesmente não acontece”, afirmou.

Para o ministro, a digitalização não substitui a documentação tradicional, mas representa uma extensão do trabalho já realizado nos arquivos convencionais.

“Na verdade, trata-se da transposição do que existe em formato físico para o digital. Por isso, a organização dos arquivos é uma condição indispensável para avançarmos neste processo de modernização”, frisou.

Impissa saudou os esforços em curso na província de Nampula e garantiu o compromisso do Governo em prosseguir com iniciativas que fortaleçam a gestão documental e a preservação da memória colectiva do país.

A Conservatória do Registo Civil de Nampula guarda actualmente documentos históricos produzidos desde 1930, constituindo um dos mais importantes repositórios de informação administrativa e patrimonial da região norte de Moçambique.
(AIM)
Fernanda da Gama (FG)/pc

 

Fonte: aimnews

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