Maputo, 8 Jul (AIM) – O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) apelou na quarta-feira, em Maputo, à mobilização de recursos financeiros para apoiar as acções de preparação e mitigação dos impactos do fenómeno El Niño, cuja ocorrência poderá reduzir a precipitação nas regiões Centro e Sul do País e aumentar as chuvas na região Norte.
O apelo foi lançado pelo director-geral do INAM, Adérito Aramuge, durante a II Sessão Ordinária do Conselho Técnico de Gestão e Redução do Risco de Desastres (CTGRD).
Segundo Aramuge, a preparação para o fenómeno exige o envolvimento do Governo, parceiros de cooperação, organizações da sociedade civil e demais intervenientes.
«Para a implementação destas acções é indispensável mobilizar fundos. Cada sector tem um papel a desempenhar para que nenhum moçambicano seja apanhado de surpresa», afirmou.
O responsável explicou que o País dispõe de tempo até Outubro para reforçar as medidas de preparação e reduzir os potenciais impactos do fenómeno.
Referiu que o El Niño resulta do aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, alterando a circulação atmosférica e influenciando os padrões climáticos em várias regiões do mundo, incluindo Moçambique.
Neste contexto, o INAM e o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) identificaram os distritos mais vulneráveis aos efeitos do fenómeno, com destaque para as zonas semi-áridas das regiões Centro e Sul.
Aramuge explicou que o sistema nacional de monitoria compreende três fases — prontidão, implementação e acção — permitindo acompanhar a evolução do fenómeno e activar medidas antecipadas de resposta.
Acrescentou que, para além dos distritos prioritários, outros 36 distritos integram o programa nacional de acções antecipadas, beneficiando de medidas preventivas destinadas a reduzir os riscos para as populações.
Por seu turno, o representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Matsinhe, defendeu a realização de uma avaliação da segurança alimentar nas zonas de risco.
Segundo Matsinhe, os maiores impactos do El Niño deverão fazer-se sentir no próximo ano, pelo que as acções de monitoria e resposta devem abranger o médio e longo prazos.
O representante da FAO considerou igualmente necessário reforçar as estratégias de construção da resiliência das comunidades, para além da distribuição de sementes tolerantes à seca, habitualmente utilizada como resposta às crises cíclicas.
(AIM)
MR/pc
Fonte: aimnews





