InícioNacionalSociedadeLAM sob pressão: comentadores defendem auditoria independente e reforma estrutural

LAM sob pressão: comentadores defendem auditoria independente e reforma estrutural

Resumo

Comentadores da STV sugerem uma auditoria independente às Linhas Aéreas de Moçambique para esclarecer irregularidades financeiras e restaurar a credibilidade da empresa. Hélder Jauana defende transparência na auditoria e a implementação de um novo modelo de gestão com prestação de contas trimestral. Critica a falta de supervisão e responsabiliza não só os gestores, mas também os órgãos de tutela. Alberto da Cruz questiona a seriedade no combate à corrupção na LAM, apontando falhas operacionais e a falta de resultados visíveis na reestruturação. Defende um combate mais amplo à corrupção, incluindo responsabilização de figuras governamentais do período em análise. Os comentários foram feitos num momento crítico da empresa, marcado por denúncias de má gestão e dificuldades operacionais.

O comentador da STV, Hélder Jauana, sugere que se faça uma auditoria às Linhas Aéreas de Moçambique para que os problemas da empresa sejam de conhecimento público. Já Alberto da Cruz entende que o novo escândalo de corrupção na companhia não passa de uma encenação.

A crise nas Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) continua a gerar forte debate público. Comentadores da STV defenderam, este domingo, a realização urgente de uma auditoria independente à companhia aérea estatal, como forma de restaurar a credibilidade e esclarecer alegadas irregularidades financeiras.

Durante o programa Pontos de Vista, o analista Hélder Jauana afirmou que a melhoria da reputação da empresa passa, em primeiro lugar, por uma auditoria transparente e tornada pública. “Esta auditoria independente deve ser exposta para que todos saibamos o que aconteceu na LAM”, defendeu.

Além disso, Jauana propôs a adopção de um novo modelo de gestão e a implementação de um sistema de prestação de contas trimestral. Segundo explicou, a empresa deveria apresentar regularmente relatórios públicos detalhando a sua situação financeira, operacional e os caminhos estratégicos em curso.

Para o comentador, a responsabilidade pela actual situação da companhia não deve recair apenas sobre os gestores detidos ou investigados. Hélder Jauana questionou o papel dos órgãos de tutela e do Conselho de Administração, indagando onde estavam as estruturas de supervisão quando a empresa entrou em declínio.

“Não basta prender gestores. É preciso reformar o modelo de controlo das empresas públicas”, defendeu, alertando que, sem mudanças estruturais, os mesmos problemas poderão repetir-se.

Também no programa, o comentador Alberto da Cruz criticou o que considera falta de seriedade na abordagem ao novo escândalo de corrupção envolvendo o antigo director-geral da LAM, Paulo Jorge.

Da Cruz questionou a ausência de informações claras sobre os cerca de 150 milhões de dólares alegadamente movimentados por três empresas associadas ao caso. “Qual é a auditoria que está a ser feita? Quanto foi investido na compra de cada aeronave que hoje está parada?”, interrogou.

O comentador apontou ainda falhas operacionais persistentes, como atrasos nos voos e aeronaves imobilizadas, defendendo que a reestruturação anunciada não tem produzido resultados visíveis.

Alberto da Cruz considerou que o combate à corrupção na empresa deve ser mais amplo e incluir todos os responsáveis institucionais do período em análise. Questionou, por exemplo, se figuras governamentais que exerciam funções na altura dos factos também serão chamadas a prestar esclarecimentos.

Os comentários foram feitos no programa Pontos de Vista da STV, num momento em que a LAM enfrenta uma das fases mais delicadas da sua história, marcada por denúncias de má gestão, suspeitas de corrupção e dificuldades operacionais.

Fonte: O País

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