Maputo, 19 de Agosto (AIM) – Trinta e quatro jovens profissionais moçambicanos partem esta quinta-feira, 20 de Agosto, para os Emirados Árabes Unidos (EAU), onde irão trabalhar nas áreas de fundição de alumínio e construção civil.
A iniciativa enquadra-se na estratégia do Governo de criar canais formais e seguros para a colocação de mão-de-obra moçambicana no exterior.
O anúncio foi feito esta quarta-feira, em Maputo, pela directora nacional do Trabalho Migratório, no Ministério do Trabalho, Género e Acção Social, Alice Brito, que destacou a importância dos acordos de mobilidade laboral na criação de mecanismos de recrutamento e colocação de trabalhadores moçambicanos no exterior com maior segurança jurídica.
“Por via disso, o Governo assinou memorandos de entendimento com EAU e Portugal, que são instrumentos que visam, acima de tudo, assegurar a segurança jurídica neste processo de recrutamento e colocação de moçambicanos para o exterior”, explicou.
Com a partida dos 34 profissionais, sobe para 58 o número de moçambicanos que já terão seguido para os Emirados Árabes Unidos no âmbito deste processo.
Segundo Alice Brito, do universo de 300 profissionais previstos para trabalhar nos EAU, um primeiro grupo de 24 já se encontra no país, aos quais se juntam seis trabalhadores que haviam seguido para aquele destino em Fevereiro de 2026.
O processo de recrutamento, entretanto, continua. Está em curso a selecção de mais 175 jovens para a área da construção civil, através da CBE–Southern África.
Para os EAU, a procura concentra-se em profissionais como pedreiros, serralheiros, ajudantes de pedreiro e trabalhadores especializados em fundição de alumínio, entre outras áreas.
Governo aposta em canais seguros
A colocação de trabalhadores no exterior é feita através de agências privadas devidamente licenciadas e com autorização especial, entre elas a RHDC, CBE e Southern África, bem como através do Ministério do Trabalho, Género e Acção Social, por intermédio dos centros de emprego e formação profissional.
A estratégia pretende reduzir os riscos associados à migração laboral informal e assegurar que os trabalhadores tenham contratos, remuneração e mecanismos de protecção social devidamente estabelecidos.
Alice Brito garantiu que os trabalhadores irão receber os seus salários directamente nas suas contas bancárias e apelou aos jovens que trabalham no exterior para aderirem, por conta própria, ao sistema de segurança social.
A responsável rejeitou, neste contexto, preocupações relacionadas com situações semelhantes às vividas pelos moçambicanos que regressaram da antiga República Democrática Alemã (RDA), sublinhando os mecanismos actualmente criados para formalizar e acompanhar a mobilidade laboral.
Além dos EAU, Moçambique está a reforçar a cooperação laboral com Portugal, ao abrigo de um memorando de entendimento que prevê mecanismos de acompanhamento e monitoria do processo de colocação de trabalhadores.
Os centros públicos de emprego e formação profissional estão igualmente envolvidos no recrutamento e selecção de candidatos para oportunidades naquele país europeu.
Segundo Alice Brito, o Governo está a formalizar contratos-promessa de trabalho e dispõe de uma base de dados com mais de 2.900 moçambicanos que procuram emprego em Portugal.
Em Portugal, a procura de mão-de-obra incide, entre outras áreas, sobre motoristas, trabalhadores domésticos e pedreiros.
Entre os profissionais que seguem para os EAU está Lázaro Cipriano Zibia, residente em Maputo, com nível médio de formação e dez anos de experiência na Mozal, onde esteve ligado à fundição de alumínio.
Para o jovem, a oportunidade representa mais do que um novo emprego e uma possibilidade de crescimento profissional e de criação de melhores condições para a família.
“A ideia é chegar lá, crescer na carreira e abrir oportunidades para a família e os outros. A minha expectativa é maior, por ser um país desenvolvido”, afirmou.
Também Gabriel Jossias, natural de Inhambane, vê a ida para os EAU como uma oportunidade conquistada através de um processo formal de recrutamento. Soube das vagas através da página do Facebook da CBE–Southern África, candidatou-se, foi chamado para a entrevista e, posteriormente, realizou os exames médicos.
Agora, com o visto e a passagem em mãos, prepara-se para iniciar a nova etapa profissional.
A expansão destes mecanismos de mobilidade laboral representa, para o Governo, uma aposta na criação de oportunidades para trabalhadores moçambicanos, mas também na formalização dos processos de migração e na garantia dos seus direitos.
(AIM)
Mr/pc
Fonte: aimnews







