Acordas com a garganta seca, o nariz entupido e aquela sensação de constipação a começar e o ar condicionado esteve ligado a noite toda. Coincidência? Nem sempre. O aparelho que te salva do calor pode, em certas condições, contribuir para alguns incómodos de saúde. Não é para o desligares em pânico numa onda de calor, mas vale a pena perceber o que é real, o que é mito e como usá-lo sem pagar a fatura em maleitas. Então o ar condicionado pode estar a deixar-te doente?
Comecemos por afastar um medo que circula e que não tem fundamento. O monóxido de carbono, aquele gás perigoso e sem cheiro, forma-se pela combustão incompleta de combustíveis, a queima de gás, madeira, carvão ou querosene sem ventilação adequada. Um ar condicionado não queima nada: funciona a eletricidade, movendo e arrefecendo o ar através de um gás refrigerante que circula em circuito fechado.

Ou seja, o teu ar condicionado não produz monóxido de carbono e não te vai intoxicar com esse gás. Esse risco vem de esquentadores, lareiras e aquecedores a combustível mal ventilados, não do aparelho que te refresca no verão.
Aqui está o incómodo mais comum e o mais real. Ao arrefecer, o ar condicionado também retira humidade ao ar. É por isso que vês água a escorrer da unidade exterior. O problema é que um ar demasiado seco resseca as mucosas da garganta e do nariz.
E essas mucosas não estão ali por acaso: são uma barreira natural de defesa. Quando ressecam, ficam irritadas e inflamadas, e a camada de muco que trava vírus e bactérias fica reduzida. Traduzindo: com as defesas naturais mais fracas, torna-se mais fácil apanhar uma irritação na garganta ou uma constipação. Não é o “frio” do aparelho que te adoece diretamente, é sobretudo esta secura.
O segundo problema não é do ar condicionado em si, mas de um ar condicionado mal mantido. As zonas húmidas e escuras no interior do aparelho, filtros e serpentinas, são um ambiente ideal para fungos, bolores e bactérias se instalarem. Quando isso acontece, o aparelho passa a soprar esses microrganismos para o ar que respiras.

No melhor cenário, isto provoca reações do tipo alérgico: espirros, olhos a lacrimejar, nariz a pingar. No pior, pode agravar problemas respiratórios, sobretudo em pessoas mais sensíveis, com asma ou alergias. É por isso que aquele cheiro a mofo quando ligas o aparelho nunca deve ser ignorado. É um sinal de que há algo a crescer lá dentro.
A boa notícia é que quase tudo isto se evita com bom senso e manutenção:
O ar condicionado não é o vilão que às vezes se pinta para te deixar doente, mas também não é inofensivo se for usado no máximo, apontado à cara e sem nunca ser limpo. Bem regulado e bem mantido, é seguro e continua a ser o teu melhor aliado no verão. O segredo está em usá-lo com moderação e em não te esqueceres de que, tal como qualquer aparelho que sopra ar para dentro de casa, ele precisa de estar limpo.
Fonte: Zero Zero


