Com a subida descontrolada do preço da memória RAM e os componentes a ficarem mais caros a cada mês que passa, a Apple sabe perfeitamente que atingiu o limite psicológico do consumidor. Pedir mais de mil ou mil e quinhentos euros à cabeça por um smartphone ou computador está a tornar-se cada vez mais difícil de conseguir fazer, mesmo para os fãs mais ferrenhos da maçã.
A solução de Cupertino? Lançar o “Apple Upgrade”, um programa de leasing desenhado à medida para disfarçar o impacto da inflação tecnológica. Já falámos sobre isto na leak.pt, e acredito que possa ser um sucesso, se for de facto lançado por cá.

A estratégia é brilhante. Ao fragmentar o custo de um iPhone 17 Pro (ou 18 Pro) em mensalidades a começar nos 30 ou 40 euros, e empurrando o cliente para contratos de 12 a 36 meses, a Apple elimina a dor financeira imediata. Pagar cerca de um euro por dia soa a pagar um café, que claro está, não custa nada.
Aliás, para tornar a coisa ainda mais apetecível, a marca permite entregar o dispositivo antigo para baixar a renda mensal e promete cashback para quem usar o cartão próprio da empresa. Mas o grande truque de bastidores está no risco. A Apple aliou-se à Klarna para operacionalizar a coisa. Ou seja, a gigante da maçã encaixa a margem de lucro, garante que o consumidor fica preso ao ciclo anual de troca de equipamento e passa a batata quente dos incumprimentos e da regulação financeira para terceiros.
Não nos enganemos.
O “Apple Upgrade” não é um favor que a marca está a fazer à tua carteira. No fundo, é a transição definitiva do modelo de propriedade para o modelo de subscrição na vertente do hardware.
Ou seja, em vez de comprares um produto que é teu durante quatro ou cinco anos, passas a pagar uma renda perpétua para teres o privilégio de usar a tecnologia da empresa.
Isto garante receitas recorrentes e previsíveis enquanto os clientes continuarem anestesiados pela ilusão do “um euro por dia”. Resta saber se o consumidor vai engolir o isco ou se finalmente vai perceber que alugar um telemóvel é o nível máximo de submissão ao ecossistema de uma marca.
Fonte: Zero Zero



