O presidente da CIP pediu hoje “um sobressalto da nação produtiva” e defendeu que a revisão do Código de Trabalho “não é uma birra” mas necessária, lamentando que a discussão tenha sido influenciada por questões político-partidárias.
Nas jornadas parlamentares conjuntas PSD/CDS-PP que terminam hoje em Cascais (distrito de Lisboa), Armindo Monteiro apresentou vários quadros apontando, entre outras, a diferença entre o salário mediano (típico) em Portugal, de 980 euros, e na União Europeia, de 1.800, mas também as diferenças de produtividade, em que Portugal tem a décima mais baixa do espaço comunitário.
“A discussão do Código de Trabalho não era um jogo floral, não era uma birra. Era uma questão prática, objetiva”, defendeu, criticando que, com o chumbo do pacote laboral do Governo, se mantenha a proibição do ‘outsourcing’, do banco de horas, que se limite o trabalho extraordinário e não se aumentem os serviços mínimos em caso de greve.
O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) considerou que existiu “uma minoria muito vocal e muito folclórica que continua presa a estigmas e preconceitos” e recorreu a uma metáfora futebolística para considerar que vários campos se confundiram na discussão na concertação social.
“Sabem no fim dos campeonatos quando os jogos acontecem ao mesmo tempo, que é para uns não influenciarem os outros? Foi o que nós sentimos naquelas salas: era não para influenciar aquele jogo, mas o vosso campo”, disse, dirigindo-se aos deputados, lamentando que em vez de uma discussão puramente laboral, tivesse acontecido outra político-partidária.
Armindo Monteiro apelou a que, apesar do chumbo, se mantenha a tentativa de alterar esta legislação.
“Não é para que os empresários comprem mais carros, vão de férias mais longe e tenham melhores condições”, disse, defendendo que o aumento da produtividade é essencial para que os salários em Portugal se possam aproximar da média europeia.
Armindo Monteiro deixou, depois, um apelo.
“Permitam-me convocar todos para um sobressalto da nação produtiva. É preciso deixarmos de ter temor de abanar, porque há uma nação produtiva”, disse, admitindo que essa “nação produtiva muitas vezes é silenciosa, não é ruidosa como outros”, mas existe.
O presidente da CIP considerou que tal passa por três eixos: valorização do trabalho, o investimento das empresas e a redução da burocracia estatal.
Fonte: TVI






