Maputo, 06 Jul (AIM) – O Ministério da Saúde está a finalizar a revisão do Regulamento de Residências Médicas com vista a actualizar os critérios e descentralizar a formação especializada de profissionais de saúde em todo o território mocambicano.
O documento deverá, dentre vários pontos, determinar que as formações de médicos especialistas aconteçam igualmente nas maiores unidades sanitárias das províncias.
A informação foi avançada hoje, em Maputo, pelo Ministro da Saúde, Ussene Isse, na cerimónia de abertura do Curso de Integração de 67 Médicos Residentes no Hospital Central de Maputo (HCM), sob lema “Apostando numa Formação Médica, Especializada, Resiliente, Humanizada e de Qualidade”.
Com objectivo de proporcionar aos novos residentes conhecimentos, ferramentas e competências essenciais para a sua integração nos programas de formação médica especializada, o curso irá decorrer de 06 de Julho corrente a 07 de Agosto próximo.
Ussene Isse explicou que os médicos especialistas, depois de formados, escusam-se a prestar serviços nos hospitais provinciais e distritais optando pela capital do país.
“Vamos descentralizar a formação, porque formar em Maputo complica, muitos vieram das províncias aqui. Quando gradua, no dia seguinte mete carta, começa a invocar assuntos. Então, é esta iniquidade que nós temos que também corrigir no país. Porque vão ficar aqui todos na cidade de Maputo e depois quem vai atender os pacientes lá nas províncias? Então é um desafio que temos que resolver em conjunto”, aclarou o ministro.
Acrescentou ainda que, “Nós como ministério, já estamos a fechar o regulamento da residência médica, que é um instrumento também que vai orientar como é que a residência médica deve ocorrer no nosso país, de forma organizada, de forma estruturada”.
O ministro apelou aos médicos especialistas em formação a aperfeiçoarem o conhecimento e a humanizarem o atendimento ao paciente, de forma a resgatar a confiança nos serviços públicos de saúde.
“Nós temos uma responsabilidade colegas, de doar estas mãos, este conhecimento que nós temos que Deus deu é para doar para o outro. Se você não quer doar o seu conhecimento, o seu amor ao outro, não vale a pena dar na saúde é melhor desistir, estamos a perder confiança, estamos a ser duramente criticados pelo povo. Por quê? Atitude, comportamento”, apelou.
O ministro lançou o desafio para o Hospital Central de Maputo para que as outras especialidades trabalhem de forma célere para ter o currículo baseado em competências e frisou que, “é este currículo que nós queremos em Moçambique, que as pessoas saiam com competência para resolver os problemas do povo moçambicano”.
O médico cirurgião em formação, Isaac Maphossa, em representação dos formandos disse que a sua especialização vai reforçar a resposta a doenças cirúrgicas que o país regista nos últimos anos.
“Com o passar do tempo nós temos muitas patologias do fórum cirúrgico e, com o crescimento exponencial da população, há essa necessidade de formar mais cirurgiões, num específico de modo a responder à preocupação”, referiu Maphossa.
“O maior número de cirurgiões está aqui em Maputo, há uma grande necessidade de preencher a vaga ou as vagas de cirurgiões a nível das outras províncias. Numa altura, como é que há províncias que têm apenas um cirurgião moçambicano, com isso, achamos que iremos melhorar a assistência da população, de forma geral”, vincou.
Com a entrada de mais 67 novos médicos residentes, o Hospital Central de Maputo passa a contar com mais de 300 profissionais em formação.
Nos últimos cinco anos, o Hospital Central de Maputo formou um total de 219 médicos especialistas.
(AIM)
Fernanda da Gama (FG)/pc
Fonte: aimnews






