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Presidente da Med-Or, Marco Minniti, defende pacto Europa-África para uma «nova ordem mundial»

Maputo, 15 de Julho (AIM) – Antigo ministro do Interior italiano considera essencial uma nova parceria estratégica entre a União Europeia e a União Africana para responder aos desafios da segurança, das migrações e da estabilidade internacional.

Perante a crescente complexidade do panorama geopolítico mundial, torna-se necessário construir uma «nova ordem mundial» que integre de forma efectiva os países do Sul global. Esta é a convicção de Marco Minniti, antigo ministro do Interior de Itália e actual presidente da Fundação Med-Or.

Numa extensa entrevista, Minniti analisou os principais desafios, mas também as oportunidades, que marcam a evolução da região mediterrânica alargada. Entre os temas abordados figuram os conflitos no Irão, na Síria, em Gaza e na Ucrânia, a situação no Estreito de Ormuz, a instabilidade na Líbia, o Sahel — que classificou como o «principal incubador do terrorismo internacional» — e o Corno de África.

Segundo o responsável italiano, todos estes focos de tensão têm inevitáveis repercussões nos fluxos migratórios em direcção à Europa, tornando urgente uma nova abordagem estratégica.

Pacto entre a Europa e África

Minniti defende a celebração de um pacto entre a União Europeia e a União Africana, considerando que o Plano Mattei deverá constituir um dos dois pilares de uma renovada política europeia para África.

Na sua perspectiva, esta parceria deverá assentar não apenas na cooperação económica e no desenvolvimento, mas também numa estratégia comum em matéria de segurança, migrações e combate às redes criminosas.

OTAN deve redefinir prioridades

O antigo ministro considera igualmente que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) deve redefinir o seu papel, conciliando a tradicional missão de defesa atlântica com as ameaças provenientes do Sul.

«A desestabilização de África, que pode propagar-se com grande rapidez, é profundamente contrária aos interesses da União Europeia», afirmou.

Na sua opinião, a Europa deve concentrar maior atenção na região mediterrânica e no continente africano. Por essa razão, entende que a próxima cimeira da OTAN, em Ancara, deverá reforçar a capacidade de intervenção da Aliança na frente sul.

«Sendo uma organização atlântica, e sendo a Europa um dos seus elementos fundamentais, a OTAN não pode ignorar o Mediterrâneo nem África entre as suas áreas prioritárias de interesse», sustentou.

Dupla estratégia para as migrações

Perante o impacto da instabilidade internacional sobre os movimentos migratórios, Minniti propõe uma estratégia assente em dois eixos.

O primeiro consiste em desenvolver e reforçar as vias legais de imigração, consideradas um instrumento essencial para combater as redes de tráfico de seres humanos.

«As vias legais constituem um elemento fundamental da luta contra os traficantes de seres humanos», afirmou.

Em contrapartida, defende que a União Europeia deverá exigir compromissos concretos aos países africanos, admitindo inclusivamente operações policiais internacionais contra as redes de tráfico, à semelhança das que actualmente são conduzidas contra organizações terroristas.

Repatriamento imediato da imigração irregular

O segundo eixo da estratégia passa por garantir o repatriamento imediato das pessoas que entrem irregularmente na Europa.

Segundo Minniti, a existência de canais legais de imigração implica que todos aqueles que recorram às vias clandestinas devam ser rapidamente devolvidos aos respectivos países de origem ou de trânsito.

«Se existem vias legais de imigração, torna-se evidente que quem chega ilegalmente deve ser imediatamente repatriado», afirmou.

Uma nova política europeia para África

Para concretizar esta visão, Minniti propõe um pacto-quadro entre a União Europeia e a União Africana, complementado por acordos bilaterais entre os Estados europeus e os países africanos de origem ou de trânsito dos migrantes.

Na sua opinião, este acordo deverá centrar-se simultaneamente na promoção da imigração legal e no combate às redes de tráfico de seres humanos, tendo o Plano Mattei como um dos seus pilares fundamentais.

O antigo ministro rejeita a ideia de que esta estratégia constitua um acto de solidariedade ou beneficência.

«Não se trata de caridade, mas do interesse estratégico da Europa», sublinhou.

Na sua perspectiva, ao adoptar esta política, a Europa não estará apenas a defender os seus próprios interesses, mas também a contribuir para a construção de uma nova ordem mundial capaz de responder aos desafios globais da actualidade.

 

Fonte: aimnews

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