Por: Alfredo Júnior
O antigo presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Akinwumi Adesina, afirmou que Moçambique registou progressos económicos e sociais assinaláveis nas últimas duas décadas e meia, mas advertiu que o país continua confrontado com desafios estruturais ligados à pobreza, ao desemprego, às alterações climáticas e à limitada expansão das oportunidades económicas.
A declaração foi feita esta quarta-feira, em Maputo, durante uma intervenção pública em que o economista nigeriano destacou que, apesar dos avanços alcançados desde o fim da guerra civil, persistem obstáculos que condicionam um crescimento mais inclusivo e sustentável.
Segundo Adesina, Moçambique registou melhorias em diversos indicadores de desenvolvimento, impulsionadas por investimentos em infra-estruturas, energia, agricultura e exploração de recursos naturais. Contudo, defendeu que o crescimento económico deve traduzir-se em melhores condições de vida para a população, sobretudo através da criação de emprego para os jovens e do reforço da produtividade.
O antigo responsável do BAD alertou igualmente para a elevada vulnerabilidade climática do país, recordando que Moçambique figura entre os Estados africanos mais expostos a ciclones, cheias e secas. Na sua perspectiva, estes fenómenos representam uma ameaça crescente ao desenvolvimento económico, afectando infra-estruturas, produção agrícola e segurança alimentar.
Dados do Banco Mundial mostram que, apesar do crescimento económico registado em diferentes períodos, uma parte significativa da população continua a viver em situação de pobreza, sobretudo nas zonas rurais. A instituição tem igualmente alertado para a necessidade de acelerar reformas que promovam maior diversificação da economia, reforcem o capital humano e estimulem o investimento privado.
Na mesma linha, o Fundo Monetário Internacional tem defendido que Moçambique deverá prosseguir reformas destinadas a fortalecer a gestão das finanças públicas, melhorar o ambiente de negócios e aumentar a resiliência da economia perante choques externos e eventos climáticos extremos.
Para Adesina, o potencial económico do país permanece elevado, sustentado pela abundância de recursos naturais, pela posição estratégica na África Austral e pelo crescimento demográfico. No entanto, considerou que transformar esse potencial em desenvolvimento inclusivo exigirá investimentos contínuos na educação, qualificação profissional, agricultura, industrialização e criação de emprego, sobretudo para a juventude.
O economista sublinhou ainda que o futuro de Moçambique dependerá da capacidade de combinar crescimento económico com inclusão social e adaptação às alterações climáticas, defendendo uma cooperação reforçada entre o Governo, o sector privado e os parceiros internacionais para reduzir as desigualdades e ampliar as oportunidades de desenvolvimento.






