“Muda para tarifa bi-horária que poupas na luz.” É dos conselhos mais repetidos entre amigos e familiares, e por vezes está certo. O problema é que ele é dado como se servisse a toda a gente, quando na verdade há casas onde a bi-horária poupa dezenas de euros por ano e outras onde não muda absolutamente nada ou até sai mais cara. A diferença não está na sorte. Está num número que consegues calcular em dez minutos.
Na tarifa simples pagas sempre o mesmo por cada quilowatt-hora, seja de dia ou de madrugada. Na bi-horária, o dia parte-se em dois: as horas de vazio, mais baratas, e as horas fora de vazio, mais caras. Repara bem nesta segunda parte, porque costuma esquecer-se na conversa. A bi-horária não é “mais barata”; é mais barata numas horas e mais cara nas outras.

Daí a regra: só compensa se conseguires deslocar uma fatia significativa do teu consumo para o período de vazio.
Ganhas com a mudança se tens hábitos que ocupam a madrugada e o fim da noite. Casas com máquina de lavar roupa e de loiça programáveis para arrancar depois da meia-noite, com termoacumulador ou bomba de calor a aquecer água nesse período, ou com carro elétrico a carregar durante a noite, são o cenário perfeito. Nestes casos, a maior fatia da fatura passa a cobrar-se ao preço mais baixo e a poupança nota-se ao fim do ano.
Se em tua casa a vida acontece toda entre as sete da manhã e as onze da noite, televisão à noite, jantar cozinhado à hora de ponta, roupa lavada ao fim de semana à tarde, a bi-horária vai cobrar-te mais caro exatamente nas horas em que gastas quase tudo. É frequente ver famílias que mudaram para bi-horária a convite do comercial e nunca alteraram um único hábito. Essas quase sempre pagam mais.
Vai à tua fatura e vê o consumo em quilowatt-hora do último ano. Depois pergunta-te, com honestidade, que percentagem desse consumo consegues empurrar para o período de vazio. A regra prática que os especialistas usam é esta: abaixo de um terço do consumo em vazio, dificilmente compensa; acima de metade, quase de certeza compensa.
E há um detalhe que muita gente ignora: as horas de vazio não são iguais em todo o lado nem o ano inteiro. Dependem do ciclo aplicado ao teu contrato e mudam entre horário de inverno e de verão. Antes de programares seja o que for, confirma na fatura ou junto do teu comercializador quais são exatamente as tuas horas, programar a máquina para as duas da manhã não serve de nada se o teu vazio começa mais tarde.

Antes de mexeres no ciclo horário, olha para dois números que costumam ter mais impacto: a potência contratada, muitas vezes exagerada para aquilo que a casa precisa, e o próprio comercializador, já que a diferença de preço entre operadores no mercado livre pode valer mais do que qualquer arbitragem entre horas.
Fonte: Zero Zero




