Uma investigação do FBI, integrada num processo civil de perda apresentado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, levou à identificação de uma empresa portuguesa numa alegada rede internacional de aquisição de helicópteros e componentes destinados ao Irão, segundo revela o jornal Público. O caso começou a ser reconstruído a partir de um motor de helicóptero avaliado em 209 mil dólares, cerca de 181 mil euros.
Entre as entidades identificadas pelas autoridades norte-americanas está a Business United Unipessoal, Lda., sociedade portuguesa cujo único sócio é o empresário António Filipe Fortio Mira, de 33 anos. Segundo os documentos analisados pelo mesmo jornal, a empresa terá funcionado como intermediária em várias operações, envolvendo contactos e pagamentos com passagem por Portugal, Uruguai, Alemanha, Suécia, Turquia e Estados Unidos.
A investigação também coloca em evidência a ligação entre António Mira e Miguel Frasquilho, antigo presidente da AICEP e antigo chairman da TAP, que se conhecem desde 2013 ou 2014. Frasquilho surgiu publicamente associado à Business United pelo menos desde janeiro de 2023, sendo então apresentado como “partner da consultora”.
Os documentos norte-americanos analisados pelo Público não identificam Frasquilho como participante nas operações nem lhe atribuem responsabilidade pelos factos investigados. A Business United destacava, contudo, a experiência do antigo governante na Administração Pública, na AICEP e na TAP, apresentando-a como uma mais-valia para facilitar parcerias estratégicas, apoiar empresas em contextos regulatórios complexos e disponibilizar uma vasta rede de contactos.
A investigação aponta ainda Mehdi Shirazi Shayesteh, diretor executivo da Pasargad Helicopter Company (PHC), como uma figura central da alegada rede. Com sede em Teerão e na ilha de Kish, no Golfo Pérsico, a empresa dedica-se oficialmente à compra, venda, importação, exportação e manutenção de helicópteros.
Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a PHC desempenhava um papel relevante na obtenção de aeronaves e peças para a Iran Helicopter Support and Renewal Company (PANHA), empresa estatal iraniana ligada à manutenção e modernização da frota militar do país e alvo de sanções norte-americanas desde 2018.
Fonte: TVI






