Vamos ser muito honestos… Comprar um bilhete numa companhia low-cost hoje em dia é uma autêntica viagem a um campo de minas. Começas com um preço de 20 euros e, quando dás por ti, já estás a pagar 80 porque decidiste levar uma mochila, quiseste sentar-te ao lado do teu filho ou tiveste a audácia de te enganar numa letra do teu apelido.
Felizmente, a União Europeia decidiu deitar as cartas na mesa. Por isso, está a caminho um pacote de regras revolucionárias para acabar com a chulice das taxas ocultas. As mudanças são mesmo profundas, e fazem todo o sentido.
A União Europeia esteve bem.

A primeira grande vitória para o consumidor ataca diretamente o maior problema das reservas online: a mala de cabine.
Ou seja, com as novas regras, a bagagem de mão terá obrigatoriamente de vir incluída no preço base do bilhete apresentado logo ao início em qualquer site ou plataforma de reservas. Acabou-se o truque barato de esconder o custo real da viagem até ao último segundo.
Para além disso, as famílias vão finalmente poder respirar de alívio. Quantas vezes já tiveste de pagar uma taxa extra de reserva de lugar só para não deixares um miúdo sozinho no meio do avião? Isso vai acabar. As crianças até aos 14 anos vão poder sentar-se ao lado dos pais sem qualquer custo adicional. A mesma regra aplica-se a grávidas e pessoas com mobilidade reduzida, que passam a ter o direito garantido de viajar ao lado de um familiar ou acompanhante sem pagar mais um cêntimo por isso.
Outro abuso clássico que vai direto para o caixote do lixo é a taxa absurda que algumas companhias cobram por um simples erro de digitação. Se te enganares a escrever o teu nome no bilhete, as companhias passam a ser obrigadas a corrigir o erro de forma totalmente gratuita. A juntar a isto, a impressão do cartão de embarque no aeroporto também deverá passar a ser gratuita, acabando com aquelas multas ridículas de última hora no balcão.
Mas a facada final no modelo de negócio abusivo das companhias está na proibição do cancelamento do voo de regresso. Atualmente, se por algum motivo perderes o voo de ida, muitas empresas cancelam-te automaticamente o bilhete de volta. Com a nova diretiva, o teu voo de regresso não pode ser cancelado só porque não apareceste na ida. Ah, e se por acaso fores despromovido para uma classe de viagem inferior àquela que reservaste, passas a ter direito a compensação automática.

No papel, isto é a melhor notícia dos últimos anos para quem gosta de viajar sem se sentir enganado. No entanto, ainda vais ter de aguentar mais umas filas e taxas absurdas durante as férias deste ano. Como o processo legislativo europeu tem os seus próprios tempos de digestão, a expectativa é que este novo regulamento passe a aplicar-se de forma prática a partir de 2027.
Seja como for, o aviso está dado e as regras do jogo vão finalmente mudar a favor de quem paga. Resta saber se até lá as companhias não vão inventar uma nova taxa qualquer para compensar este valente corte nos lucros extra.
Fonte: Zero Zero





