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p style="margin-top: 0in;text-align: justify;background-image: initial;background-position: initial;background-size: initial;background-repeat: initial;background-attachment: initial">A participação de Moçambique como País Convidado de Honra na Feira Internacional de Dar es Salaam serviu para projectar oportunidades de investimento, aproximar empresários e reafirmar a ambição de transformar os laços históricos entre os dois países em cadeias de valor, corredores logísticos e maior comércio regional.
A participação de Moçambique na 50.ª Feira Internacional de Comércio de Dar es Salaam, conhecida como Saba Saba, reforçou a aposta numa relação económica mais profunda e diversificada com a Tanzânia. Mais do que uma presença institucional num dos maiores certames comerciais da região, a deslocação do Presidente da República, Daniel Chapo, serviu para colocar no centro da agenda bilateral o investimento, a industrialização, a logística, o comércio de produtos transformados e a integração dos sectores privados dos dois países.
Na avaliação feita no final da visita de trabalho, o Chefe do Estado sublinhou que a presença moçambicana permitiu divulgar o potencial económico nacional junto de empresas tanzanianas e grupos económicos internacionais, com interesse em sectores como energia, gás natural, mineração, agricultura, turismo, transportes e logística. Segundo a AIM, os contactos mantidos durante a feira revelaram interesse em explorar oportunidades de negócio e investimento em áreas estratégicas da economia moçambicana.
A mensagem é relevante porque coloca a relação entre Maputo e Dar es Salaam num patamar mais económico e empresarial. Os dois países partilham uma história de solidariedade política e de apoio mútuo, mas o desafio actual passa por converter essa proximidade numa agenda concreta de comércio, investimento, infra-estruturas e criação de valor.
Da História Comum à Prosperidade Partilhada
Ao inaugurar a Saba Saba como País Convidado de Honra, Daniel Chapo evocou os laços históricos que unem Moçambique e a Tanzânia, incluindo o apoio prestado pelo povo e pelo Estado tanzanianos à luta de libertação nacional. Mas defendeu que a actual geração deve assumir uma nova missão: transformar a fraternidade histórica em oportunidades económicas para as populações, sobretudo para os jovens e as mulheres.
Numa nota informativa, a Presidência da República refere que o Presidente moçambicano defendeu uma nova etapa de cooperação entre os dois países, sustentada pela integração económica, industrialização e facilitação do comércio. A visão apresentada assenta no aproveitamento conjunto da localização estratégica no Oceano Índico, dos recursos naturais, da população jovem e das infra-estruturas logísticas disponíveis nos dois territórios.
Esta perspectiva responde a uma realidade regional concreta. Moçambique e Tanzânia possuem extensas linhas costeiras, portos com vocação regional, corredores de ligação ao interior do continente e uma posição geográfica que pode servir de ponte entre a África Oriental e a África Austral. O potencial, contudo, só se tornará efectivo se for acompanhado por maior coordenação entre políticas de comércio, transportes, fronteiras, investimento e desenvolvimento industrial.
A integração económica não se mede apenas pelo volume de declarações conjuntas ou pela assinatura de memorandos. Mede-se pelo tempo que uma mercadoria demora a atravessar uma fronteira, pela eficiência dos portos, pelo custo do transporte, pela disponibilidade de energia, pelo acesso a pagamentos transfronteiriços e pela capacidade de as empresas identificarem parceiros e mercados nos dois lados.
Comércio de Produtos Transformados Deve Ganhar Espaço
Um dos pontos mais relevantes da intervenção de Daniel Chapo foi a defesa da expansão do comércio de produtos transformados entre Moçambique e Tanzânia. A mensagem é coerente com a ambição de ambos os países reforçarem as suas capacidades industriais e reduzirem a dependência da exportação de matérias-primas em bruto.
Segundo a AIM, o Presidente considerou que o aprofundamento das trocas comerciais pode gerar benefícios mútuos, estimular a industrialização e abrir novas oportunidades para o sector privado. A visão passa por promover não apenas a circulação de mercadorias, mas também cadeias de valor capazes de criar emprego, conhecimento e actividade empresarial nos dois países.
Neste domínio, há espaço para explorar complementaridades. Moçambique possui potencial energético, recursos minerais, capacidade agrícola e corredores logísticos que ligam o Oceano Índico a países sem acesso ao mar. A Tanzânia, por sua vez, dispõe de um mercado interno significativo, uma economia mais diversificada em alguns segmentos industriais e uma posição relevante na África Oriental.
O objectivo não deve ser apenas aumentar o comércio bilateral de bens tradicionais. Deve passar pela identificação de sectores nos quais os dois países possam cooperar na produção, processamento, distribuição e acesso a mercados regionais. Agro-processamento, fertilizantes, materiais de construção, medicamentos, pescas, logística, embalagens, energia, turismo e serviços digitais são exemplos de áreas onde a cooperação empresarial pode ganhar escala.
Portos e Corredores Podem Ser Activos de Integração
A geografia oferece uma vantagem que precisa de ser transformada em estratégia. Moçambique e Tanzânia dispõem de portos e corredores que podem reforçar a conectividade regional, apoiar a circulação de mercadorias e atrair investimento industrial associado à logística.
A Presidência da República assinala que Daniel Chapo defendeu o aproveitamento da localização estratégica dos dois países, dos seus corredores e das respectivas infra-estruturas para fortalecer cadeias de valor, expandir o comércio e captar novos investimentos.
Para Moçambique, esta abordagem é particularmente importante porque reforça o papel dos portos de Maputo, Beira, Nacala e Pemba como activos que podem servir não apenas a economia nacional, mas também a integração com os países vizinhos. A articulação com a Tanzânia pode abrir espaço para uma maior ligação entre rotas marítimas, plataformas logísticas, cadeias de abastecimento e redes empresariais que operam entre as duas regiões africanas.
Mas infra-estruturas, por si só, não garantem integração. É necessário assegurar eficiência operacional, simplificação de procedimentos, interoperabilidade digital, segurança, previsibilidade regulatória e redução dos custos de transporte e fronteira. Uma rota competitiva precisa de funcionar como sistema integrado, ligando porto, estrada, ferrovia, alfândega, armazém, mercado e empresa.
PMEs Podem Encontrar Novos Mercados na África Oriental
A participação moçambicana na Saba Saba também foi apresentada como oportunidade para identificar perspectivas de inserção de pequenas e médias empresas nacionais no mercado da África Oriental. Este é um aspecto particularmente relevante, porque a integração regional só se torna inclusiva quando deixa de ser uma agenda exclusiva de grandes companhias e passa a criar oportunidades para empresas de menor dimensão.
Segundo a AIM, Daniel Chapo destacou que o certame permitiu explorar oportunidades para a expansão das PMEs moçambicanas, com potencial para aumentar exportações nacionais e reforçar parcerias empresariais entre os dois países.
Para que isso aconteça, será necessário apoiar empresas moçambicanas na compreensão das exigências do mercado tanzaniano e regional, incluindo normas de qualidade, certificação, embalamento, regras aduaneiras, canais de distribuição e parcerias comerciais. Muitas PMEs têm capacidade produtiva, mas encontram dificuldades na passagem da produção local para mercados externos.
A feira pode abrir portas, mas a consolidação de negócios exige acompanhamento. Missões empresariais, plataformas de informação comercial, facilitação de contactos entre câmaras de comércio, programas de certificação e instrumentos de financiamento à exportação podem tornar mais concreta a oportunidade identificada em Dar es Salaam.
Integração Africana Precisa de Resultados Tangíveis
A agenda defendida por Daniel Chapo enquadra-se num debate continental mais amplo sobre a Zona de Comércio Livre Continental Africana. O Presidente tem insistido que as fronteiras africanas devem ser mantidas do ponto de vista político e administrativo, mas não devem funcionar como barreiras ao comércio, à circulação de investimento e à criação de riqueza.
Na Saba Saba, reiterou que Moçambique e Tanzânia devem olhar para o mercado africano como um espaço integrado, aproveitando os seus recursos, infra-estruturas e proximidade para construir uma parceria mais dinâmica e mutuamente vantajosa. Segundo a Presidência da República, o Chefe do Estado convidou ainda os empresários presentes a participarem na FACIM 2026, como forma de aprofundar os contactos e parcerias iniciados em Dar es Salaam.
A participação de Moçambique na Saba Saba deixa, assim, uma agenda clara: atrair investimento, ampliar o comércio, promover produtos transformados, fortalecer a ligação entre sectores privados e usar a geografia como vantagem competitiva.
O verdadeiro teste será transformar os contactos e declarações em projectos, contratos, rotas comerciais, investimento produtivo e oportunidades concretas para empresas e trabalhadores. A fraternidade histórica entre Moçambique e Tanzânia já está consolidada. O próximo passo é fazer dela uma plataforma efectiva de prosperidade económica partilhada.
Fonte: O Económico





