Por: Alfredo Júnior
O Governo formalizou a concessão do Terminal Logístico de Dondo, na província de Sofala, ao consórcio Terminal Logístico de Dondo, S.A. (TLD), no âmbito de uma Parceria Público-Privada (PPP) com a empresa pública Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM). O projecto, avaliado em cerca de 117 milhões de dólares, será desenvolvido durante um período de concessão de 25 anos e visa reforçar a capacidade logística do Corredor da Beira, um dos principais eixos de comércio da África Austral.
Segundo informações divulgadas pelo Ministério dos Transportes e Logística e pelo Jornal Notícias, a sociedade concessionária é composta pelos CFM, que detêm 20% do capital, pelo consórcio Union Portlink Capital, Lda., ZHONGMEI e UNION, com 70%, enquanto os restantes 10% ficam reservados ao empresariado local da província de Sofala. O modelo procura conciliar investimento estrangeiro, participação do Estado e envolvimento do sector privado nacional.
O terminal será implantado na vila de Dondo, uma localização considerada estratégica devido à proximidade com o Porto da Beira e à ligação às principais linhas ferroviárias e rodoviárias que servem países sem acesso ao mar, como Zimbabwe, Zâmbia e Malawi. A infra-estrutura funcionará como um porto seco, permitindo a recepção, armazenamento, consolidação e distribuição de mercadorias, reduzindo a pressão sobre o Porto da Beira e melhorando a eficiência das cadeias logísticas da região.
De acordo com o ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, o empreendimento deverá impulsionar o desenvolvimento económico de Sofala, criar postos de trabalho durante a fase de construção e operação e aumentar a competitividade do corredor logístico da Beira. O Governo prevê que a infra-estrutura esteja operacional dentro de aproximadamente 15 meses, contribuindo para acelerar o escoamento de mercadorias e atrair novos investimentos para a região.
As projecções oficiais apontam ainda para um impacto financeiro significativo. Num cenário base, estima-se que o projecto possa gerar cerca de 600 milhões de dólares em receitas para o Estado ao longo da concessão. Este montante resulta das taxas fixas e variáveis de concessão, do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRPC), das compensações relacionadas com a estrada alternativa ao Porto da Beira e dos dividendos correspondentes à participação accionista dos CFM no consórcio.
A concessão representa a concretização de um processo iniciado em 2025, quando o Conselho de Ministros autorizou o desenvolvimento do Terminal Logístico de Dondo através de um modelo de parceria público-privada, mandatando os CFM para liderarem a implementação do projecto e estabelecerem parcerias com empresas de reconhecida capacidade técnica e financeira no sector logístico.
Especialistas em transportes consideram que o reforço da capacidade logística do Corredor da Beira poderá consolidar a posição de Moçambique como plataforma regional de comércio, aumentando a competitividade dos seus portos e das ligações ferroviárias. Contudo, defendem que o sucesso da iniciativa dependerá da execução atempada das obras, da integração eficiente com as restantes infra-estruturas de transporte e da capacidade de garantir benefícios económicos sustentáveis para as comunidades locais e para o tecido empresarial moçambicano.






