InícioRevistaTecnologiaA grande mentira do áudio sem fios? O teu smartphone dá pouco?

A grande mentira do áudio sem fios? O teu smartphone dá pouco?

As marcas nos espetaram uma valente rasteira quando decidiram matar a entrada de fones (o famoso jack de 3.5mm). Isto porque, obrigaram-nos a todos a saltar para o mundo sem fios. Compra-se um telemóvel de 1000€ ou 1500€, assina-se um serviço de streaming de alta resolução (Hi-Res), espetam-se uns fones Bluetooth topo de gama nos ouvidos e achamos que estamos a ouvir o som dos deuses.

Mas não. A realidade nua e crua é que podes estar a ser enganado sem te dares conta, e a culpa é de um segredo chamado Bluetooth. Mais concretamente os codecs envolvidos.

Podes ter o ficheiro de áudio com a maior qualidade do mundo no ecrã, mas se o “tubo” que transporta o som até aos teus fones for minúsculo, o resultado final vai saber a pouco. Escusas de fechar os olhos, porque o marketing das marcas esconde isto muito bem.

airpods

Para não entrarmos em preciosismos técnicos aborrecidos que ninguém quer ler, pensa no codec Bluetooth como uma caixa de transporte.

Ou seja, a música digital precisa de ser comprimida para conseguir viajar pelo ar sem falhas ou atrasos (latência) e depois é descodificada nos teus fones.

O problema é que a compressão tradicional passa uma autêntica facada nos dados. Ou seja, corta detalhes finos da música para o ficheiro ficar leve. É aqui que entra o chamado bitrate (a taxa de bits medida em kbps ou Mbps).

De forma muito resumida, quanto maior for o bitrate, maior é a “caixa” e mais dados conseguem lá caber dentro. Mais dados significam menos perdas e, claro, um som muito mais limpo e detalhado na outra ponta.

No mercado atual de 2026, a coroa da qualidade está dividida. O topo absoluto é o aptX Lossless da Qualcomm. Lançado há alguns anos e agora em força no mercado, ele promete áudio com qualidade de CD real (16-bit/44.1kHz) sem perder rigorosamente um único bit de informação durante a viagem. Logo a seguir temos o LDAC da Sony, muito mais popular e que aguenta taxas de 990 kbps. Seguido de perto pelo LHDC (que até recebeu um empurrão recente nas atualizações do ecossistema Pixel). E depois… Bem, depois temos o resto.

(mini-review) airpods max ainda valem a pena em 2025?

Dito tudo isto, é aqui que a porca torce o rabo e onde muitos utilizadores levam um murro no estômago sem saberem. Sabias que o iPhone não suporta nativamente nem aptX Lossless nem LDAC? É verdade. Se tens um iPhone emparelhado com os melhores fones do mercado, estás preso ao velhinho formato AAC, que fica limitado a uns modestos 320 kbps.

Não interessa se pagas o plano de música mais caro do mundo. A Apple simplesmente fecha as portas aos formatos concorrentes de alta resolução sem fios. Para dares a volta a isto, só ires buscar adaptadores externos de terceiros à carteira.

Portanto, a regra de ouro quando vais comprar equipamento novo é muito simples: o teu smartphone e os teus fones têm de falar exatamente a mesma língua. Se gastares um absurdo nuns fones compatíveis com aptX Lossless mas o teu telemóvel só transmitir em AAC ou no básico SBC, os teus fones de luxo vão funcionar ao nível de uns fones de 20€ que compras no supermercado da esquina.

Isto significa que, se queres realmente fazer parte do grupo de entusiastas que aproveita o som ao máximo, tens de começar a olhar para as letras miudinhas das especificações. Ficheiros em formatos como FLAC ou WAV são brutais, mas só ganham vida se o codec do teu ecossistema Bluetooth tiver “poder de fogo” para os empurrar até aos teus ouvidos.

 

Fonte: Zero Zero

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