Se andas atento aos meus artigos aqui na Leak.pt sobre a caça às bruxas nas transmissões digitais, as multas absurdas que querem aplicar aos utilizadores e o modelo de negócio arcaico do futebol premium, sabes perfeitamente qual é a minha posição. É impressionante, mas todas as semanas vemos comentadores e executivos na televisão a destilar ódio contra o streaming ilegal, chorando lágrimas de crocodilo sobre as perdas da indústria. Pois bem, lamento estragar a narrativa, mas todas essas “choradeiras” são perfeitamente inúteis.
O caso de estudo do Spotify no mundo da música e, mais recentemente, a entrada da LiveMode no mercado provam uma verdade universal: só há uma forma eficaz de combater a pirataria. É mudar tão drasticamente o status quo e o modelo de negócio que a opção legal seja mais cómoda para as pessoas do que a ilegal.
O sistema legal tem de ser melhor que o sistema do pirata. Até pode ser mais caro, todos nós percebemos isso, mas tem de ser inegavelmente melhor e mais prático.

A pirataria anda na internet pelo menos desde o advento dos torrents e partilha de ficheiros; meter na cabeça que vão acabar com ela através de leis repressivas é pura ilusão. Não é possível eliminar a pirataria. Ponto final.
No entanto, é perfeitamente possível convencer as pessoas a optar pelo caminho legal se o serviço oficial for decente. O problema é que, em Portugal, o modelo legal atual é estupidamente caro e tecnologicamente limitado.
Hoje em dia, para a maioria dos utilizadores, é infinitamente mais fácil abrir uma simples aplicação de IPTV na Smart TV do que andar a lutar com a aplicação oficial da SportTV ou de outras operadoras. E (pelo que me contam, atenção) estas listas paralelas até oferecem mais funcionalidades, organização de canais e emissões estáveis em 4K real.

Que incentivo real têm as pessoas para optar pelo mercado legal? Vais exigir que o comum cidadão pague uma pipa de massa todos os meses por um serviço que, continua a apresentar limitações? Por vezes até quebras de sinal e oferece uma qualidade de imagem inferior? Esquece isso.
O consumidor não é estúpido. Ele não recorre a alternativas por maldade. Recorre porque o mercado legal não funciona, ou não funciona da forma como deveria. Enquanto as operadoras e os donos dos direitos de transmissão preferirem chorar em tribunal em vez de inovarem nos preços e nas plataformas… O streaming paralelo vai continuar a ganhar a corrida de goleada.
Fonte: Zero Zero





