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A Voyager 1 está tão longe que um sinal demora mais de 22 horas a chegar

Resumo

Foi lançada em 1977, ainda antes de existirem telemóveis, e continua a trabalhar A Voyager 1 é o objeto mais distante alguma vez construído pela humanidade e está tão longe da Terra que um sinal de rádio, a viajar à velocidade da luz, demora mais de 22 horas a chegar até ela Quase meio século depois, a sonda continua a enviar dados do espaço interestelar, alimentada por uma fonte de energia que hoje produz menos eletricidade do que duas lâmpadas A Voyager 1 encontra-se a cerca de 25 mil milhões de quilómetros da Terra, mais de 170 vezes a distância entre a Terra e o Sol E continua a afastar-se A esta distância, até a luz, a coisa mais rápida que existe, precisa de perto de 23 horas para percorrer o caminho Um número que não para de aumentar à medida que a sonda se afasta Isto torna qualquer “conversa” com a sonda impossível em tempo real Um comando enviado da Terra demora quase um dia a chegar, e a resposta demora outro tanto a voltar Ou seja, uma simples troca de mensagens é uma viagem de ida e volta de quase dois dias Os engenheiros da NASA enviam instruções para o escuro e ficam à espera O que torna esta história ainda mais impressionante é o sítio onde a Voyager 1 está Em 2012, a sonda atravessou a heliopausa, a fronteira onde o fluxo de partículas do Sol dá lugar ao gás rarefeito que existe entre as estrelas, tornando-se o primeiro objeto humano a entrar no espaço interestelar Desde então, tem enviado medições dessa região Dois dos seus instrumentos continuam ligados, a estudar o plasma e os campos magnéticos à sua volta, e os dados viajam até à Terra através da Deep Space Network, a rede de antenas gigantes da NASA Entretanto quando o sinal cá chega, é incrivelmente fraco: uma transmissão mais ténue do que a luz de um frigorífico, apanhada no meio do ruído depois de um dia inteiro em viagem Nada disto seria possível com painéis solares Àquela distância, a luz do Sol é demasiado fraca Por isso, a Voyager 1 transporta a sua própria fonte de energia: três geradores que transformam o calor do plutónio em decaimento em eletricidade São, na prática, baterias nucleares, sem peças móveis e sem necessidade de luz solar O problema é a potência No lançamento, o sistema produzia cerca de 470 watts Hoje, produz aproximadamente 230 watts, e o valor continua a cair cerca de quatro watts por ano Uma nave a milhares de milhões de quilómetros está a funcionar com menos energia do que muitos eletrodomésticos lá de casa É este declínio, e não uma avaria, que vai acabar por ditar o fim da missão Para esticar a energia ao máximo, a NASA tem vindo a desligar sistemas um a um: aquecedores, instrumentos, tudo o que não seja essencial Ainda em 2026, os engenheiros terão desligado mais um dos detetores precisamente por esta razão Se tudo correr bem, esta gestão cuidadosa poderá manter a sonda a enviar dados básicos até à década de 2030 Mas a tendência só tem um sentido: cada ano há um pouco menos de energia, até ao dia em que não sobrar nada para alimentar Há um recorde quase ao virar da esquina Assim a Voyager 1 está a aproximar-se da distância de um dia-luz da Terra, o ponto em que o seu sinal demora exatamente 24 horas a chegar Segundo as estimativas, isso deverá acontecer por volta de novembro de 2026 Nenhum objeto construído pelo ser humano esteve alguma vez tão longe Entretanto a partir daí, a história é apenas de resistência: quanto tempo consegue uma máquina dos anos 70 continuar a “sussurrar” com um fio cada vez mais fino de eletricidade nuclear Para já, uma sonda mais velha do que a maioria das pessoas que a acompanham continua a ser a voz mais distante da humanidade E tu, achas que a Voyager 1 ainda vai aguentar até à década de 2030 Diz-nos nos comentários Fonte: Zero Zero

Foi lançada em 1977, ainda antes de existirem telemóveis, e continua a trabalhar. A Voyager 1 é o objeto mais distante alguma vez construído pela humanidade e está tão longe da Terra que um sinal de rádio, a viajar à velocidade da luz, demora mais de 22 horas a chegar até ela. Quase meio século depois, a sonda continua a enviar dados do espaço interestelar, alimentada por uma fonte de energia que hoje produz menos eletricidade do que duas lâmpadas.

A Voyager 1 encontra-se a cerca de 25 mil milhões de quilómetros da Terra, mais de 170 vezes a distância entre a Terra e o Sol. E continua a afastar-se. A esta distância, até a luz, a coisa mais rápida que existe, precisa de perto de 23 horas para percorrer o caminho. Um número que não para de aumentar à medida que a sonda se afasta.

Isto torna qualquer “conversa” com a sonda impossível em tempo real. Um comando enviado da Terra demora quase um dia a chegar, e a resposta demora outro tanto a voltar. Ou seja, uma simples troca de mensagens é uma viagem de ida e volta de quase dois dias. Os engenheiros da NASA enviam instruções para o escuro e ficam à espera.

O que torna esta história ainda mais impressionante é o sítio onde a Voyager 1 está. Em 2012, a sonda atravessou a heliopausa, a fronteira onde o fluxo de partículas do Sol dá lugar ao gás rarefeito que existe entre as estrelas, tornando-se o primeiro objeto humano a entrar no espaço interestelar.

Desde então, tem enviado medições dessa região. Dois dos seus instrumentos continuam ligados, a estudar o plasma e os campos magnéticos à sua volta, e os dados viajam até à Terra através da Deep Space Network, a rede de antenas gigantes da NASA. Entretanto quando o sinal cá chega, é incrivelmente fraco: uma transmissão mais ténue do que a luz de um frigorífico, apanhada no meio do ruído depois de um dia inteiro em viagem.

Nada disto seria possível com painéis solares. Àquela distância, a luz do Sol é demasiado fraca. Por isso, a Voyager 1 transporta a sua própria fonte de energia: três geradores que transformam o calor do plutónio em decaimento em eletricidade. São, na prática, baterias nucleares, sem peças móveis e sem necessidade de luz solar.

O problema é a potência. No lançamento, o sistema produzia cerca de 470 watts. Hoje, produz aproximadamente 230 watts, e o valor continua a cair cerca de quatro watts por ano. Uma nave a milhares de milhões de quilómetros está a funcionar com menos energia do que muitos eletrodomésticos lá de casa.

É este declínio, e não uma avaria, que vai acabar por ditar o fim da missão. Para esticar a energia ao máximo, a NASA tem vindo a desligar sistemas um a um: aquecedores, instrumentos, tudo o que não seja essencial. Ainda em 2026, os engenheiros terão desligado mais um dos detetores precisamente por esta razão.

Se tudo correr bem, esta gestão cuidadosa poderá manter a sonda a enviar dados básicos até à década de 2030. Mas a tendência só tem um sentido: cada ano há um pouco menos de energia, até ao dia em que não sobrar nada para alimentar.

Há um recorde quase ao virar da esquina. Assim a Voyager 1 está a aproximar-se da distância de um dia-luz da Terra, o ponto em que o seu sinal demora exatamente 24 horas a chegar. Segundo as estimativas, isso deverá acontecer por volta de novembro de 2026. Nenhum objeto construído pelo ser humano esteve alguma vez tão longe.

Entretanto a partir daí, a história é apenas de resistência: quanto tempo consegue uma máquina dos anos 70 continuar a “sussurrar” com um fio cada vez mais fino de eletricidade nuclear? Para já, uma sonda mais velha do que a maioria das pessoas que a acompanham continua a ser a voz mais distante da humanidade.

E tu, achas que a Voyager 1 ainda vai aguentar até à década de 2030? Diz-nos nos comentários!

 

Fonte: Zero Zero

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