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Apanhado por uma corrente no mar? O erro que pode custar-te a vida

Resumo

O agueiro, também conhecido como corrente de retorno, é responsável pela maioria das mortes por afogamento nas praias portuguesas. Esta corrente traiçoeira forma-se quando a água do mar regressa com força para o largo, criando um canal aparentemente calmo e seguro. A reação instintiva de nadar contra a corrente pode ser fatal, sendo crucial manter a calma, não entrar em pânico e deixar-se levar um pouco pela corrente até perder intensidade. Flutuar de costas e sinalizar para o nadador-salvador são medidas mais eficazes do que tentar lutar contra a corrente. A prevenção é fundamental, devendo-se evitar zonas com água calma e sempre respeitar as bandeiras indicadas pelos salva-vidas. O mar deve ser desfrutado com precaução, pois não avisa duas vezes.

É o fenómeno que mais mata nas praias portuguesas e, ao mesmo tempo, o mais traiçoeiro, porque se disfarça de zona calma. Chama-se agueiro, ou corrente de retorno, e o Instituto de Socorros a Náufragos estima que esteja na origem da larga maioria das mortes por afogamento. Saber como reagir a uma corrente no mar pode mesmo ser a diferença entre a vida e a morte e a reação instintiva da maioria das pessoas é precisamente a errada.

Primeiro, perceber o que é. Quando as ondas rebentam e a água tem de voltar ao mar, forma-se uma espécie de canal com uma corrente muito forte a puxar para o largo. O traiçoeiro é o aspeto: nesse canal a ondulação é quase nula, a água parece mais calma do que à volta, e cria uma falsa sensação de segurança. É ali que a pessoa se sente tentada a entrar. Há sinais que o denunciam: uma faixa de água mais escura ou acastanhada, com espuma, onde não rebentam ondas, no meio de uma zona em que as ondas rebentam normalmente.

Agora o que interessa: se fores apanhado, o erro que te pode matar é tentar nadar contra a corrente, em direção à praia. É impossível, o mar é mais forte do que tu e só vais esgotar-te até não teres forças. A regra de ouro é não lutar. Mantém a calma, não entres em pânico (o pânico é o que faz a pessoa afogar-se, porque perde o controlo da respiração e esquece-se de pedir ajuda). Deixa que a corrente te leve um pouco. Ela vai perdendo intensidade à medida que te afastas da costa e nada paralelamente à praia, ao lado, para saíres do canal. Estes canais costumam ser estreitos, e poucos metros para o lado bastam para escapares. Só depois de fora da corrente é que nadas de volta a terra.

Então flutua. Põe-te de costas, deixa o corpo boiar para poupares energia, e levanta um braço a sinalizar para o nadador-salvador te ver. Boiar e pedir ajuda salva mais vidas do que tentar ser herói.

A melhor proteção, claro, é não chegar a esse ponto. Antes de entrares, repara se há aquela faixa estranha de água calma, pergunta ao nadador-salvador onde é seguro, e mete-te sempre na zona marcada pelas bandeiras vermelha e amarela de riscas, que é precisamente a que os salva-vidas indicam como mais segura. O mar do verão é para se aproveitar mas com respeito, que ele não avisa duas vezes.

 

Fonte: Zero Zero


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