Resumo
O bispo de Quelimane, Osório Afonso, foi assassinado com um tiro no coração por indivíduos não identificados na sua residência na Zambézia, Moçambique. A polícia está a investigar o caso, revelando que os agressores escalaram o muro da casa do bispo, vandalizaram a segurança elétrica e dispararam contra ele com uma AK-M. Até ao momento, não há detidos. O Presidente moçambicano expressou pesar pela morte do bispo, destacando a sua dedicação pastoral e valores de paz. A morte de Osório Afonso foi lamentada por políticos e membros da comunidade, considerando-a um golpe para os valores de paz e reconciliação no país. Osório Citora Afonso, eleito bispo em 2025, era Administrador Interino da Arquidiocese da Beira.
Em declarações aos jornalistas, o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) na Zambézia, Maximino Amílcar, disse que o bispo foi morto na madrugada deste sábado na sua residência, na província da Zambézia (centro de Moçambique), com uma arma do tipo AK-M por indivíduos que teriam escalado o muro da sua residência, tendo vandalizado a segurança elétrica e disparado contra o bispo.
O responsável disse que Osório foi alvejado na “parte do peito, no coração, provavelmente uma bala”, remetendo detalhes para outro momento, quando as autoridades investigam o crime.
O Sernic adiantou que não há, ainda, detidos.
“Estamos aqui perante um homicídio agravado como é do vosso domínio, do domínio público e por enquanto não vamos avançar detalhes porque estamos a trabalhar, como sabem que o serviço criminal é para investigar e não é fácil de madrugada para estas alturas trazer estes detalhes deste homicídio agravado”, disse Maximino Amílcar.
O bispo da diocese de Quelimane e administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, Osório Citora Afonso, morreu neste sábado, confirmou a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM).
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, manifestou, em comunicado, profundo sentimento de pesar e consternação pela morte do bispo Osório Citora Afonso, ocorrida na madrugada de hoje, no Paço Episcopal, na residência oficial do bispo da Igreja Católica de Quelimane.
Na sua mensagem, o chefe de Estado refere que a morte do bispo Osório constitui uma perda irreparável para a sociedade moçambicana, em geral, e para a comunidade cristã, em particular, ressaltando o facto de ter-se destacado, em vida, pelo culto da humildade, dedicação pastoral e pregação dos valores da paz e reconciliação.
Antes, a Polícia da República de Moçambique (PRM) na Zambézia tinha dito à Lusa que estava a investigar as causas da morte, remetendo esclarecimentos para mais tarde. “Houve morte, sim, confirmo, mas ainda não temos as causas e a polícia está no terreno a investigar, por isso não posso adiantar agora qualquer causa, porque os colegas estão a avançar com a perícia”, disse a porta-voz da polícia na Zambézia, Belarmina Muija.
O político moçambicano Venâncio Mondlane lamentou a morte do bispo de Quelimane, repudiando o “brutal assassinato” de Osório Afonso.
“A trágica perda de uma voz tão relevante para a igreja Católica e para a sociedade moçambicana constitui um golpe doloroso contra os valores da paz, da reconciliação e do diálogo no nosso país”, escreveu Mondlane nas suas redes sociais.
Membro do Instituto dos Missionários da Consolata, Osório Citora Afonso foi eleito bispo de Quelimane em 25 de julho de 2025, tendo, em abril deste ano, sido nomeado, pelo Papa Leão XIV, Administrador Interino da Arquidiocese da Beira, conforme nota da Presidência.
Fonte: Observador





