InícioRevistaTecnologiaCarregar sem fios gasta 40% mais eletricidade. Fizemos as contas!

Carregar sem fios gasta 40% mais eletricidade. Fizemos as contas!

É uma das críticas mais repetidas ao carregamento sem fios: desperdiça energia. E é verdade, a diferença pode chegar aos 40%. A pergunta que ninguém responde é a que interessa: 40% de quê, exatamente? Fomos fazer as contas e vimos quanto gasta mais carregar sem fios.

O princípio é simples. O carregador tem uma bobina, o telemóvel tem outra. Ao encostares um ao outro, a energia é transferida sem cabo, por indução.

O problema é que nenhuma transferência é perfeita. Sempre que a energia salta de uma bobina para a outra, uma parte perde-se pelo caminho, sobretudo em forma de calor. É física, não é um defeito de fabrico.

A tecnologia tem melhorado (o padrão Qi2 trouxe uma espécie de MagSafe para o mundo Android, e os carregadores estão cada vez mais rápidos), mas a perda continua lá.

Vamos aos dados. Carregar um telemóvel de 0 a 100%:

Ou seja, 6 Wh desperdiçados em cada carregamento completo, os tais ~40% a mais.

Aqui está o cálculo que muda tudo. Com o preço médio da eletricidade em Portugal (à volta de 0,156 €/kWh):

Leste bem. Trinta e quatro cêntimos. Por ano.

Para dar contexto: gastas mais eletricidade a ferver água para dois ou três chás. Se a tua preocupação com o carregamento sem fios era a fatura da luz, podes ficar descansado, não é aí que o teu dinheiro se vai.

Duas situações em que a conversa muda.

  1. À escala global. Aqueles 34 cêntimos são irrelevantes para ti. Mas multiplica por milhares de milhões de telemóveis no mundo, e a soma já é eletricidade a sério. Se essa energia não vier de fontes renováveis, o impacto ambiental agregado deixa de ser desprezável. É um argumento coletivo, não individual.

  2. O calor, e este sim, devia preocupar-te.

Se já usaste um carregador sem fios, conheces o efeito: o telemóvel e o carregador aquecem, às vezes bastante. E no verão português, com 35 graus à sombra, isso agrava-se.

A maioria dos telemóveis tem proteções de software que interrompem o carregamento quando a temperatura sobe demais — para não danificar os componentes internos. Traduzindo: nas alturas de mais calor, o carregador sem fios simplesmente deixa de funcionar até tudo arrefecer.

E há um efeito de longo prazo. Se a gestão térmica do telemóvel ou do carregador não for boa, o carregamento sem fios regular pode acelerar a degradação da bateria. Não porque a tecnologia seja má em si mas porque o calor é o inimigo número um de qualquer bateria de lítio.

Entretanto sê pragmático:

Podes usar carregamento sem fios à vontade se: o teu carregador tem ventoinha, o telemóvel gere bem o calor, e o ambiente é fresco (dentro de casa, não ao sol). Nesse cenário, o dano é mínimo e a comodidade compensa.

Prefere o cabo se: estás num sítio quente, notas o telemóvel a aquecer muito, ou queres preservar a bateria ao máximo a longo prazo. E, claro, se te preocupa o desperdício energético do ponto de vista ambiental — aí o cabo continua a ser a escolha mais responsável.

O que não deves fazer é evitar o carregamento sem fios para poupar dinheiro. Trinta e quatro cêntimos por ano não pagam a ansiedade.

 

Fonte: Zero Zero

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