InícioNacionalPolíticaChapo reforça que defesa nacional é responsabilidade de todos os moçambicanos 

Chapo reforça que defesa nacional é responsabilidade de todos os moçambicanos 

O Presidente da República e Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança (FDS) de Moçambique, Daniel Chapo, ministrou, nesta quinta-feira, a aula inaugural do ano académico no Instituto Superior de Estudos de Defesa (ISEDEF), tendo enfatizado que a defesa nacional transcende a esfera militar, exigindo uma abordagem integrada e a responsabilidade de todos os moçambicanos para proteger a soberania, a integridade territorial e a segurança face às complexas ameaças internas e externas.

Nesta quinta-feira, o momento marcou o lançamento do primeiro Curso de Defesa Nacional e, nas suas notas no ISEDEF, instituição fundamental para o pensamento estratégico nacional, Chapo referiu que recebeu o convite para ministrar a aula inaugural com um “sentimento de orgulho”, dada a sua responsabilidade como Comandante-Chefe das FDS.

No local, o Chefe do Estado procurou “fazer uma provocação para uma reflexão permanente”, estimulando discussões e debates que devem ser aprofundados ao longo do curso.

Chapo definiu a defesa nacional como “acções e estratégias adoptadas por um Estado para proteger a sua soberania, integridade territorial, a sua independência, instituições, recursos e a população contra ameaças externas e internas”, e sublinhou a evolução deste conceito, que, embora com raízes históricas, é hoje “dinâmico, adaptando-se às mudanças no cenário internacional e às novas ameaças que surgem”.

O Chefe do Estado frisou que a defesa nacional moderna não se limita ao uso da força militar, exigindo, em vez disso, “abordagens integradas que envolvem inteligência, diplomacia, economia, questões ambientais, sociais, tecnológicas e preparação civil, pois a protecção de um país é uma responsabilidade colectiva, de todos nós, não é só dos militares”. Destacou que a política de defesa e segurança de Moçambique reflecte esses princípios, buscando sempre os interesses do Estado e o interesse nacional em primeiro lugar.

O lançamento do primeiro Curso de Defesa Nacional, disse o estadista, é relevante e oportuno, e é uma resposta directa aos desafios actuais da segurança.

Daniel Chapo detalhou um cenário complexo, que inclui a reconfiguração da ordem mundial, conflitos na Europa e no Médio Oriente, a ameaça da revolução tecnológica, o terrorismo em África e golpes de Estado.

Internamente, Moçambique lida com o terrorismo em Cabo Delgado, tráfico de drogas e pessoas, crime organizado, eventos climáticos extremos e, mais recentemente, “manifestações violentas e ilegais que deixaram um saldo elevado de mortes, feridos e destruições”.

Diante deste contexto adverso, Chapo deixou questões cruciais para a reflexão dos formandos: como Moçambique deve posicionar-se na segurança global, o impacto da instabilidade africana no país, aprimoramento da segurança interna pelas FDS e a contribuição dos formandos no combate às ameaças. O curso, que envolve profissionais de diversas formações, visa fortalecer o poder do Estado moçambicano, um esforço conjunto que coloca as Forças Armadas no centro.

Daniel Chapo ressaltou a importância de construir um poder militar forte, credível e perceptível para todos, através de treinamento de excelência, equipamentos adequados, logística eficiente e formação baseada na ciência. Mencionou a riqueza do plano curricular do curso, que abrange geopolítica, organizações internacionais, direito internacional humanitário, democracia, cultura e identidade e as questões clássicas de defesa e segurança, visando a “massificação da cultura de Estado nos aspectos inerentes à segurança”.

O Chefe do Estado prestou homenagem às Forças de Defesa e Segurança, que “dia e noite, faça chuva, faça sol […], se esmeram, sempre com bravura para defender a nossa independência nacional, a nossa soberania, a nossa integridade territorial e garantem a ordem e tranquilidade públicas”.

O Chefe do Estado exortou o Comando do ISEDEF a continuar a inovar e concluir obras, e os formandos a exercerem suas funções com imparcialidade, coragem e sensibilidade, sendo exemplos de disciplina e lealdade ao Estado. “A defesa nacional não se delega, porque exige abordagem integrada e é responsabilidade de todos os Moçambicanos”, concluiu, declarando oficialmente lançado o primeiro Curso de Defesa Nacional.

Fonte: O País

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