InícioRevistaTecnologiaCientistas puseram câmaras às costas de pombos em nome da tecnologia

Cientistas puseram câmaras às costas de pombos em nome da tecnologia

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Parece brincadeira, mas uma equipa de investigadores equipou mais de uma dezena de pombos com mini-câmaras e "mochilas" tecnológicas para perceber o que os olhos destas aves realmente fazem durante o voo. O resultado surpreendeu os próprios cientistas.

Durante décadas, assumiu-se que aves com olhos posicionados lateralmente na cabeça, como é o caso dos pombos, mantêm os olhos praticamente parados enquanto voam.

A ideia fazia sentido, tendo em conta que mexer os olhos poderia interferir com a leitura do movimento visual gerado pelo próprio voo, um sinal essencial para a ave perceber a velocidade, a direção e possíveis obstáculos no caminho.

Para testar esta teoria, os investigadores criaram um equipamento leve, com cerca de 27 gramas no total, composto por:

O equipamento foi testado num bando de cerca de 16 pombos-correio, mas apenas dois de cada vez voavam com a câmara e a mochila reais ligadas. Os restantes usavam mochilas "falsas".

As aves voaram normalmente numa rota já conhecida, enquanto o sistema registava, em tempo real, o comportamento dos seus olhos.

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p id="caption-attachment-1129483" class="wp-caption-text">Fonte: Current Biology ()

Ao contrário do esperado, os pombos não mantêm os olhos imóveis. Os investigadores observaram movimentos oculares lentos e subtis ao longo do voo, num processo que parece compensar o movimento visual gerado pelo deslocamento da ave, em vez de simplesmente o "sofrer" passivamente.

Segundo Anthony Lapsansky, biólogo organísmico e um dos autores do estudo publicado na revista científica , este ajuste ocular pode ajudar as aves a perceber pormenores mais finos do ambiente ou identificar características do terreno que sejam úteis para a navegação.

Numa , foi explicado que, ao aterrarem, os pombos viram os olhos para dentro, um comportamento que pode estar associado à estereopsia, ou seja, à capacidade de calcular profundidade comparando a perspetiva de cada olho. Este tipo de visão tridimensional só tinha sido documentado, até agora, em algumas aves de rapina.

Na verdade, interessa à . A maioria dos drones atuais utiliza câmaras fixas e rígidas, que captam apenas o movimento visual básico gerado pelo deslocamento do próprio aparelho, informação suficiente para calcular velocidade e direção, mas limitada quando comparada com o que um sistema biológico consegue fazer.

Ao moverem ativamente os olhos, os pombos extraem informação extra do ambiente que os rodeia, algo que os sistemas robóticos atuais ainda não replicam.

Para os investigadores, compreender esta estratégia visual pode abrir caminho a drones e robôs voadores mais autónomos, capazes de navegar em ambientes complexos de forma mais parecida à dos animais.

 

Leia também:

 

Fonte: Pplware

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