Se andas atento aos meus artigos aqui na Leak, sabes perfeitamente que o sistema Volta prometia revolucionar a reciclagem. A premissa era bonita! Pagas mais 10 cêntimos por cada garrafa ou lata de bebida e, se a devolveres intacta nas máquinas automáticas, recuperas o teu dinheiro. No entanto, o mercado e a realidade social são muito mais complexos do que os relatórios de ecologia de trazer por casa.
Por isso, em pleno verão de 2026, várias Juntas de Freguesia de Lisboa já vieram a público queixar-se do autêntico caos que se instalou nas ruas.
No fundo, aquilo que noutros países europeus serviu de aviso foi completamente ignorado por cá. O resultado? Uma avalanche de pessoas a virar caixotes e ecopontos do avesso à procura das preciosas embalagens com o selo Volta.

Ou seja, da mesma forma que algumas pessoas andam a tentar enganar o sistema, muitas outras andam a tentar aproveitá-lo ao máximo.
Isto porque, apesar de ter existido um enorme investimento, existem bairros inteiros em Lisboa (e outras localizações) onde os supermercados de proximidade simplesmente não têm máquinas de recolha. Obrigando assim as pessoas a apanhar transportes ou a gastar combustível só para não perderem o depósito. O que acontece nestas situações? Muito boa gente desiste do processo, e acaba por abandonar as embalagens em pontos de reciclagem ou contentores comuns.
Curiosamente, isto são minas de ouro para outras pessoas com mais dificuldade. Isto é especialmente verdade agora, porque os ecopontos andam atolhados, consequência de os circuitos de recolha terem sido reduzidos de forma muito significativa.
Além de tudo isto, existem máquinas Volta completamente destruídas, por pessoas fartas das avarias. O que por sua vez também resulta em lixo espalhado, porque quem vai a estas máquinas, não vai voltar atrás com os sacos para casa.
O Volta acabou por criar uma nova profissão informal em Portugal: a dos “caçadores-coletores” de plástico, que reviram a cidade inteira para juntar sacos enormes de garrafas. Enquanto o Fundo Ambiental arrecada os milhões que ficam para trás e os consumidores pagam uma taxa duplicada, a classe média arca com o prejuízo e com a sujidade nas ruas. O sistema capitalista da reciclagem funciona, mas a implementação à portuguesa voltou a deixar muito a desejar.
Fonte: Zero Zero



