Resumo
A Eni pretende acelerar a terceira fase do projeto petrolífero offshore Baleine, na Costa do Marfim, devido aos preços elevados do petróleo, com investimento de 4 mil milhões de dólares. A produção de petróleo deverá duplicar para 150 mil barris diários, fortalecendo a posição da Costa do Marfim como produtor emergente de hidrocarbonetos em África. A Eni destaca a importância estratégica de África, implementando modelos de desenvolvimento faseado em vários países, como Moçambique. A empresa também planeia uma terceira plataforma de gás natural liquefeito em Moçambique. A pressão por novos projetos é impulsionada pelos preços elevados do petróleo e pela volatilidade geopolítica global, com África a tornar-se uma das principais fronteiras de expansão energética.
A decisão final de investimento foi aprovada esta semana pela Eni, pela Vitol Group e pela petrolífera estatal Petroci, parceiras no desenvolvimento do campo Baleine, considerado actualmente um dos mais importantes projectos energéticos emergentes em África Ocidental.
Segundo Guido Brusco, Chief Operating Officer da Eni, a empresa avalia formas de reduzir em vários meses o calendário inicialmente previsto para a execução do projecto, aproveitando o actual contexto favorável do mercado petrolífero internacional.
“Existem sempre oportunidades num cronograma de projecto para ganhar tempo, e isso está muito ligado ao contexto macroeconómico, que neste momento é favorável”, afirmou Brusco, citado pela Bloomberg.
Produção De Petróleo Deverá Mais Do Que Duplicar
A expansão Baleine Phase 3 deverá aumentar a produção petrolífera do projecto dos actuais 60 mil barris por dia para cerca de 150 mil barris diários, reforçando significativamente a posição da Costa do Marfim como produtor emergente de hidrocarbonetos em África.
Ao mesmo tempo, a produção de gás natural deverá mais do que duplicar, atingindo aproximadamente 200 milhões de pés cúbicos por dia, volumes que deverão abastecer o mercado doméstico marfinense e apoiar os esforços nacionais de segurança energética.
O projecto contempla igualmente o desenvolvimento de uma unidade flutuante de produção, armazenamento e descarga (FPSO), cuja construção decorrerá num estaleiro chinês, com conclusão prevista para meados de 2028.
África Consolida Centralidade Na Estratégia Global Da Eni
A decisão da Eni reflecte a crescente centralidade do continente africano na estratégia energética da companhia italiana, particularmente num contexto global marcado por volatilidade geopolítica, procura crescente de segurança energética e necessidade de diversificação de fornecedores.
Segundo a Bloomberg, a Eni tem vindo a implementar em vários países africanos um modelo de desenvolvimento faseado de projectos energéticos, estratégia aplicada tanto na Costa do Marfim como em Moçambique.
No caso moçambicano, a empresa volta a sinalizar interesse numa terceira plataforma flutuante de gás natural liquefeito (FLNG), reforçando as perspectivas de expansão das operações de LNG na Bacia do Rovuma.
A referência surge num momento particularmente relevante para Moçambique, numa altura em que o País procura consolidar a sua posição como futuro grande exportador global de gás natural liquefeito, beneficiando da retoma gradual dos grandes investimentos energéticos na região norte.
Petróleo Elevado Reforça Pressão Por Novos Projectos
A intenção da Eni de acelerar o projecto Baleine reflecte igualmente uma tendência crescente entre grandes petrolíferas internacionais, que procuram aproveitar os actuais preços elevados do crude para antecipar retornos financeiros e reforçar oferta futura.
O actual contexto internacional continua marcado por forte volatilidade energética associada às tensões geopolíticas no Médio Oriente, riscos sobre cadeias globais de abastecimento e incertezas relacionadas com o equilíbrio entre segurança energética e transição verde.
Neste ambiente, África surge cada vez mais como uma das principais fronteiras globais de expansão petrolífera e gasífera, atraindo novos investimentos internacionais em exploração, produção e infra-estruturas energéticas.
Fonte: O Económico






