Resumo
O governo moçambicano defendeu a participação ativa do setor privado na expansão da rede elétrica e soluções descentralizadas no setor energético, visando atrair investimentos. Durante a V Conferência Empresarial sobre Energias Renováveis em Moçambique, o ministro dos Recursos Minerais e Energia destacou a importância das energias renováveis na transição energética do país, enfatizando o papel do gás natural como energia de transição. Mostrou-se confiante na diversidade e abundância dos recursos energéticos de Moçambique, mencionando projetos em curso, como o Mpanda Nkuwa e centrais de Massingir e Mavuzi II. A União Europeia confirmou um investimento de 300 milhões de euros em Moçambique, com 178 milhões destinados aos setores de energia, agro-negócio e transformação digital.
Maputo, 11 Jun (AIM) – O governo moçambicano defendeu esta quinta-feira (11), em Maputo, a participação activa do sector privado na aceleração da expansão da rede eléctrica, e soluções descentralizadas associadas ao sector energético.
Segundo o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, a aprovação da lei de electricidade, regulamento de concessões e da taxa de acesso universal respondem a necessidade de atracção de investimentos.
“Aprovação destes instrumentos responde a necessidade de o governo atrair mais investimentos para Moçambique, trazendo mais transparência e segurança jurídica “, disse.
O ministro falava na abertura, ainda esta quinta-feira, da V Conferência Empresarial sobre Energias Renováveis em Moçambique (RENMOZ-2026), que reúne, na capital do país, o governo, investidores e empresas para acelerar negócios, mobilizar investimentos e impulsionar projectos de energia verde no país.
“Moçambique acredita numa transição energética justa, equilibrada e inclusiva, reconhecendo o papel fundamental das energias renováveis na expansão, acesso à energia e na redução das emissões”, afirmou.
Segundo Pale, apesar disso, “entendemos que os diferentes países mantêm realidades distintas.”
Falando especificamente do gás natural, o ministro assegurou que o recurso continuará a desempenhar papel relevante e uma energia de transição, contribuindo para a segurança energética, industrialização, geração de receita para o desenvolvimento do país e a integração gradual de fontes renováveis na matriz energética nacional.
“Os nossos recursos energéticos são abundantes e diversificados, mais de 18 Gigawatts hidroeléctricos, 23 Gigawatts de potência solar, recursos eólicos resilientes em várias regiões costeiras do interior”, exemplificou.
Referiu que os recursos em alusão constituem uma base que tem contribuído para o governo construir uma carteira diversificada de projectos energéticos, criando oportunidades para o investimento nacional e internacional.
Sublinhou que o sector privado ocupa um lugar central na implementação da visão energética do executivo moçambicano.
O projecto Mpanda Nkuwa de 1500 Gigawatts, centrais de Massingir e Mavuzi II, em fase de mobilização de financiamento, programa de mini-redes solares do Fundo Nacional de Energia (FUNAE), demonstram a abertura do país a investimentos e comprometido com modelo de desenvolvimento assente na colaboração entre sector público e privado.
Por sua vez, o Presidente da Associação moçambicana de Energias Renováveis (AMER), Ricardo Pereira, informou que durante o Fórum de Negócios, no quadro da iniciativa Global Gateway, a União Europeia ( UE) deixou claro a confirmação de 300 milhões de euros para investimento no país, dos quais 178 milhões de euros destinados aos sectores de energia, agro-negócio, transformação digital e outros projectos.
“O embaixador da UE deixou claro que através da RENMOZ trará resultados adicionais e coerentes. Iremos anunciar alguns pontos marcantes para o sector privado e outros projectos com base nas energias renováveis “, disse.
Fez saber que começou em Março, quando o Chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo, visitou Bruxelas e convocou investimento Europeu no sector energético para estabelecer 04 (quatro) milhões de novas ligações até 2030.
Já, o Presidente da Associação Lusófona de Energias Renováveis (ALER), Mayra Pereira, informou que nos últimos anos Moçambique revelou uma visão clara para o seu futuro energético, colocando a transição energética no centro da agenda de desenvolvimento, competitividade, inclusão e resiliência climática.
“Esta visão é uma referência para todos nós porque reconhece que a energia não é apenas necessária no sector económico, mas uma condição essencial para transformar o país, fortalecer a economia e criar oportunidades para às próximas gerações “, disse.
Referiu que, em 2026, a AMER indicou mudança estratégica em Bruxelas, colocando o país perante investidores, financiadores, empresas e parceiros internacionais não apenas como país de potencial, mas como um mercado com oportunidades concretas, projectos em desenvolvimento e uma ambição clara para sua transição energética.
“Hoje, em Maputo, damos continuidade a esse percurso, mas fazendo com responsabilidade acrescida, transformar o interesse gerando, em compromisso, investimentos e resultados concretos para o país e as suas comunidades”, sublinhou.
O evento conta com a presença de APIEX, ARENE, corpo diplomático, cujo destaque vai para os Embaixadores da União Europeia e Alemanha em Moçambique, Antonino Maggiore e Ronald Munch.
(AIM)
MR/mz
Fonte: aimnews
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