Resumo
O Presidente da Comissão da União Africana elogiou Moçambique como um líder potencial na economia azul, destacando a necessidade de investimentos, integração regional e financiamento para aproveitar os recursos marítimos de forma sustentável. Durante a 3ª Conferência Internacional Crescendo Azul em Maputo, sublinhou a localização estratégica do país no Oceano Índico e a extensa linha costeira, salientando as oportunidades no comércio marítimo, turismo e exploração dos recursos marinhos. Alertou para desafios como alterações climáticas, pesca ilegal e terrorismo, defendendo a governação integrada dos oceanos e parcerias público-privadas para impulsionar a economia marítima. Elogiou os esforços de Moçambique na governação marítima e apelou aos países africanos para transformarem o potencial marítimo do continente em desenvolvimento e prosperidade.
Maputo, 11 Jun (AIM) – O Presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, classificou hoje (11) Moçambique como um dos países africanos com maior potencial para liderar o desenvolvimento da economia azul.
Nessa perspectiva, Youssouf defendeu uma aceleração dos investimentos, da integração regional e dos mecanismos de financiamento para transformar os recursos marítimos em crescimento sustentável.
A fonte assim se expressou durante a abertura da 3ª Conferência Internacional Crescendo Azul, evento, de dois dias, que reúne em Maputo decisores políticos, especialistas e parceiros internacionais para debater o futuro da economia dos oceanos em África.
“Moçambique é o epicentro da economia azul. Tem tudo para ser campeão da economia azul não apenas na região, mas em todo o continente”, declarou Youssouf.
O dirigente africano destacou a localização estratégica do país no Oceano Índico, a extensa linha costeira superior a 2.700 quilómetros, e o seu papel como corredor de acesso ao mar para vários países do interior da África Austral.
Segundo explicou, estas vantagens colocam Moçambique numa posição privilegiada para beneficiar das oportunidades associadas ao comércio marítimo, logística, energia, turismo costeiro, e exploração sustentável dos recursos marinhos.
Youssouf recordou que a União Africana adoptou dois instrumentos estratégicos fundamentais para orientar o aproveitamento sustentável dos oceanos: a Estratégia Marítima Integrada Africana 2050 e a Estratégia Africana para a Economia Azul, ambas alinhadas com a Agenda 2063 da organização continental.
Para o responsável, a economia azul já representa uma importante fonte de receitas para diversos países e poderá desempenhar um papel decisivo na geração de emprego, redução da pobreza e promoção da integração económica africana.
Contudo, alertou para os desafios que continuam a ameaçar o desenvolvimento sustentável dos recursos marítimos, entre os quais as alterações climáticas, os ciclones, a pesca ilegal, o crime organizado e o terrorismo.
“Países como Moçambique, Madagáscar e os pequenos Estados insulares enfrentam regularmente ciclones devastadores, enquanto o financiamento para adaptação climática continua insuficiente”, observou.
Perante este cenário, identificou quatro prioridades para o continente: reforço da governação integrada dos oceanos, investimento em infra-estruturas e inovação tecnológica, inclusão das comunidades costeiras nos processos de desenvolvimento e criação de mecanismos inovadores de financiamento.
“O investimento nas infra-estruturas, inovação e tecnologia é uma necessidade, sobretudo através de parcerias entre Norte e Sul”, afirmou.
Defendeu o recurso a instrumentos como créditos de carbono, obrigações azuis e parcerias público-privadas para mobilizar recursos adicionais destinados à economia marítima.
Youssouf elogiou ainda os esforços de Moçambique na promoção da estabilidade política e no fortalecimento das instituições ligadas à governação marítima, destacando a inauguração do Centro Regional de Monitoria, Controlo e Vigilância das Pescas da SADC.
“A integração começa nas regiões. Hoje, Moçambique está a mostrar o caminho”, declarou.
Concluindo, apelou aos países africanos para transformarem o enorme potencial marítimo do continente em valor acrescentado e prosperidade para as populações.
“A África possui recursos incomparáveis. Devemos transformá-los em desenvolvimento para os nossos povos”, afirmou.
(AIM)
NL/mz
Fonte: aimnews
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