Emmanuel Macron vai presidir a uma reunião do gabinete de crise na manhã desta segunda-feira, às 10:00, com foco nos incêndios que têm devastado o país, num momento em que o fogo se aproxima da cidade de Bordéus, no sudoeste do país.
No domingo, o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, disse que a situação continuava "muito desfavorável" e que o fogo estava a "mover-se de forma errática" em direção à cidade de Bordéus, que tem 850 mil habitantes. Entretanto, após vários dias de progresso, o enorme incêndio que queimou 42 mil hectares em Gironde e levou à retirada de 220 mil pessoas manteve-se "geralmente estável durante a noite" de domingo para segunda-feira, "sem grandes alterações a relatar", anunciou a câmara municipal esta manhã.
"As forças de segurança e de resgate mantêm-se totalmente mobilizadas e continuam as suas missões no terreno", afirmou a autarquia à imprensa francesa. "O incêndio queimou 10 mil hectares entre sábado e domingo", disseram as autoridades.
Em Espanha, o incêndio florestal que assola a região da Sierra Oeste, em Madrid, e que já consumiu 25 mil hectares, continua ativo esta segunda-feira. Durante a úlima noite, a quarta noite do incêndio, os bombeiros trabalharam para tentar estabilizar as chamas. Hoje serão retomados serviços públicos de autocarro nas zonas afetadas, assim como permitidos regressos a casa de pessoas que permanecem desalojadas, disseram as autoridades.
Rajadas de vento até 30 quilómetros por hora "poderão complicar os esforços de combate ao fogo", observaram os bombeiros, que estão concentrados principalmente na área em redor da albufeira de San Juan, perto da cidade de San Martín de Valdeiglesias. É aí que as chamas se juntaram às do incêndio de Burgohondo (Ávila), que já consumiu cerca de 50 mil hectares.
O Serviço de Prevenção e Extinção de Incêndios Florestais de Castilla-La Mancha declarou extinto o incêndio florestal que deflagrou na passada terça-feira no município de Selas (Guadalajara). O fogo afetou aproximadamente 2.800 hectares.
Esta manhã, o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, visitará a zona afetada pelo incêndio de Vall d'Uixó (Castellón), que já devastou mais de 4.300 hectares e obrigou à retirada de mais de 16.000 pessoas. No fim de semana Sánchez esteve em Madrid e em Ávila, onde voltou a apelar a um "pacto de estado contra as alterações climáticas".
Os bombeiros estão particularmente preocupados com um possível agravamento da situação na terça-feira, com temperaturas elevadas previstas podendo atingir os 40°C. A França e a Espanha poderão enfrentar a sua terceira onda de calor desde o início do verão já a partir de terça-feira, uma perspetiva que representa pouca ameaça para os esforços de combate aos incêndios, indicou este domingo um meteorologista da Météo-France. A partir de quarta-feira, "as temperaturas mínimas e máximas vão subir significativamente", "chegando a atingir os 40°C nas máximas".
O incêndio, que começou na quarta-feira em Saumos, em França, ameaçou inicialmente a península de Cap-Ferret, na costa atlântica, depois a área em torno da bacia de Arcachon, e chegou, no domingo, a 15 quilómetros da área metropolitana de Bordéus, perto da cidade de Martignas-sur-Jalle. Nas últimas horas, o fogo deslocou-se para sudeste em direção a Marcheprime, cidade situada na linha férrea entre Bordéus e Arcachon, que foi encerrada, e não muito longe da autoestrada A63, que foi encerrada no domingo à noite entre Bordéus e o País Basco.
A empresa francesa de tecnologia e software Lectra anunciou esta manhã o encerramento temporário da sua unidade em Bordéus-Cestas devido aos incêndios florestais nas proximidades.
Na atualização das 22:00 de domingo, a autarquia confirmou os 42 mil hectares de "área ardida" e descreveu a situação como "desfavorável". Desde o início do ano, já arderam 115 mil hectares em todo o país, informou Laurent Nuñez. Isto é "bastante excecional", enfatizou o ministro do Interior.
Espanha declarou a situação de emergência nacional nas províncias de Madrid, Ávila e Toledo, no centro do país, por causa dos fogos florestais, que levaram a confinar ou a retirar de casa mais de 90.000 pessoas desde quinta-feira e já queimaram 77.000 hectares. Devido à evolução favorável do combate aos incêndios na serra oeste de Madrid, esta segunda-feira poderão regressar a casa as pessoas que foram retiradas de várias localidades, incluindo os idosos de um lar, será reaberto um campo de campismo e retomada pelo menos uma linha de autocarro interurbano, segundo a Delegação do Governo de Espanha na Comunidade de Madrid.
"Temos boas previsões para continuarmos a trabalhar, a arrefecer, a conter e a extinguir o incêndio, e prevemos que amanhã [hoje], apesar de as temperaturas subirem, também haverá boas condições para tentarmos vencer este incêndio", disse no domingo à noite o delegado do Governo em Madrid, Francisco Martín.
Além destes fogos em Ávila, Madrid e Toledo - que estão a ser combatidos como se fossem um só, por estarem em territórios vizinhos -, as autoridades espanholas estão a alertar para a evolução de um incêndio em Vall d'Uixó, Castellón, na região de Valência, no leste do país, que já levou a retirar de casa 16.000 pessoas e já queimou 6.500 hectares. Estão hoje a combater este incêndio 30 meios aéreos, segundo o governo regional de Valência.
Os incêndios florestais assolaram a Europa na última semana, sobretudo em França e Espanha, onde mais de 330 mil pessoas foram retiradas das suas casas.
Segundo o Governo de Espanha, já arderam este ano mais de 150.000 hectares no país e há registo de 32 grandes fogos florestais desde janeiro, multiplicando seis vezes os números do mesmo período de 2025. Por outro lado, o incêndio de Ávila, que queimou perto de 50.000 hectares, é já o maior fogo florestal da história recente de Espanha, segundo o executivo.
O incêndio de Gironde já está entre os maiores registados em França desde a Segunda Guerra Mundial. Em 1949, o grande incêndio que devastou a floresta de Landes de Gascogne, o mais mortífero já visto em França, consumiu aproximadamente 50.000 hectares.
Fonte: TVI






