InícioRevistaInternacionalJoão Nuno Fonseca: «Leixões? Fazia algumas coisas diferentes...»

João Nuno Fonseca: «Leixões? Fazia algumas coisas diferentes...»

Resumo

João Nuno Fonseca fala sobre a sua experiência como treinador principal do Leixões, destacando a sua adaptação à II Liga portuguesa e a competitividade entre os clubes. Apesar de considerar o projeto promissor, a saída prematura do clube deixou-o com a consciência tranquila, mas com aprendizagens para o futuro. Fonseca destaca a competitividade da II Liga, uma das mais renhidas da Europa, onde a diferença de orçamentos e qualidade das equipas é reduzida, valorizando a consistência e a capacidade de pontuar em cada jogo para alcançar o sucesso.

João Nuno Fonseca teve, à frente do Leixões, o primeiro projeto enquanto treinador principal e que culminou com o regresso ao futebol português, após passagens pelo futebol francês e sul-coreano.

Em entrevista ao Maisfutebol, o técnico de 37 anos fala sobre a adaptação ao contexto de II Liga, a competitividade entre os clubes e as pequenas diferenças que são importantes ao longo da época.

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Maisfutebol (MF): Na última época teve a primeira aventura enquanto treinador principal, ao serviço do Leixões. Como foi abraçar essa mudança na carreira?

João Nuno Fonseca (JNF): Foi uma experiência muito enriquecedora, tomei contacto com uma realidade portuguesa que já não estava habituado há alguns anos. Uma realidade onde era necessário uma mudança e reestruturação dentro do clube com a entrada dos novos investidores. Existiam bastantes carências e houve necessidade de meter as peças no lugar. Senti-me muito parte dessa reorganização, fruto de várias experiências anteriores. O trabalho na pré-época foi muito objetivo. Conseguimos, nas três primeiras jornadas, fazer sete pontos. No jogo de confirmação, frente ao Feirense, falhámos.

MF: (...)

JNF: Os resultados ditaram uma saída prematura de um projeto que eu considero que era um projeto de futuro. Um clube histórico, com adeptos muito aguerridos. Há um lado que muitas vezes não se vê, o lado de dentro. Só se vê o resultado final. O que mais custa no meio disto tudo é que esse trajeto que foi feito até então, foi um processo de maturação. Não foi dado o tempo necessário para que fosse concluído como eu gostaria, mas saí de consciência tranquila.

MF: Se a oportunidade lhe fosse apresentada novamente, farias algo de diferente?

JNF: Acho que todos nós aprendemos com as nossas experiências, sejam elas mais positivas ou não tão boas. Fazia algumas coisas diferentes, que iriam ter esse impacto quando nós mais necessitávamos nessa altura da época. Tudo isso requer da minha parte um processo de maturação e de perceção do que aconteceu, para que no próximo desafio não vá pela mesma linha de pensamento.

MF: II Liga teve uma das temporadas mais competitivas dos últimos anos (em 2025/26) e a diferença pontual entre as equipas chegou a ter margens muito curtas. Estava à espera de encontrar esse contexto?

JNF: Estava à espera dessa competitividade. A II Liga é das mais competitivas a nível europeu, por essa curta diferença de orçamentos que as equipas têm, pela curta diferença que as equipas têm em termos de qualidade. Decide-se muito pelo ganho de confiança com pontos. Podes até nem ser uma equipa espetacular a jogar, mas és uma equipa consistente, que não sofre muitos golos, que consegue pontuar a cada jogo. Estás certamente mais próximo de andar nos lugares cimeiros. Nos momentos decisivos, tens de ter soluções dentro do clube para te fazer face a essas necessidades. É aí que eu vejo que há alguma diferença entre clubes. Teres substituições que te tragam rendimento ou não. Aí entram os clubes que se diferem para subir de divisão ou por andar a lutar para não descer.

MF: Adaptação ao contexto de II Liga foi fácil?

JNF: Foi uma adaptação muito positiva e muito rápida. Cedo percebi que o clube necessitava dessa mudança, era um clube que nos últimos sete ou oito anos andava a lutar para não descer de divisão. Esse sentimento de que queríamos dar a volta e fazer algo de diferente. Queríamos almejar outro tipo de objetivos, foi muito bom para mim. Não entrava num clube para lutar para não descer de divisão. O decorrer dos primeiros meses, percebemos todos que havia necessidade clara de mexer em determinados setores, para reforçar aquilo que era a maturidade da equipa. A maturidade tática e o exemplo para os jogadores jovens que o clube estava a lançar.

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Fonte: TVI

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