InícioRevistaInternacionalMundial 2026: Noruega-Inglaterra, 1-2 (crónica)

Mundial 2026: Noruega-Inglaterra, 1-2 (crónica)

Os media ingleses anteciparam este duelo como o «maior embate entre Inglaterra e Noruega desde a Batalha de Stamford Bridge, em 1066», há quase mil anos. Sim, Stamford Bridge, local londrino que empresta o nome ao estádio do Chelsea, tem uma história de sangue derramado entre estes dois países.

Conta-se que aí, num dia de calor, os vikings foram derrotados pelo exército do Rei Harold, num momento definidor da soberania inglesa. Mas não sem que os nórdicos dessem resposta – só um gigante norueguês terá morto 40 ingleses com um machado.

Quase um milénio depois, não houve sangue, mas sim muito suor e lágrimas na festa do Mundial 2026. Os bretões reinaram nas Américas e, no final do jogo, ouvimos a 'Wonderwall' cantada a plenos pulmões, em vez da concertada remada viking que encantou milhares de adeptos. E bem podem agradecer a Jude Bellingham, que anulou um golaço do benfiquista Andreas Schjelderup.

Esconder o talento de Andreas Schjelderup é uma tarefa cada vez mais difícil para o Benfica. O rapaz que esteve na porta da saída em janeiro para o Club Brugge e foi posteriormente segurado por José Mourinho, após a um bis ao Real Madrid, deu mais uma mostra de maturidade perante o mundo.

Contra uma das seleções mais mediáticas e reputadas do planeta, a Inglaterra, Andreas teve um momento genial que muitos dirão ter sido acidental. A execução e a reação do jogador transparecem o contrário – Schjelderup quis enganar tudo e todos com um remate de pé esquerdo ao ângulo mais distante, com a bola a beijar o poste e a entrar. Um lance de génio, celebrado com os braços bem abertos em direção à bancada. Nem sorriu.

O QUE É ISTO, SCHJELDERUP 🤯🤯🤯 #sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Noruega pic.twitter.com/LJD24NGBYZ

Schjelderup foi conquistando o lugar na surpreendente Noruega, com três assistências garantidas contra Brasil, França e agora um golaço marcado à Inglaterra. O menino decisivo para a Taça da Liga em 2025 e tantas vezes criticado pelo sua intensidade com e sem bola está feito um homem. Parece uma adaptação à realidade do clássico desenho animado 'Vicky, o viking'.

Mas, como tantas outras vezes, isso não chegou em termos coletivos. Pouco depois, ainda na primeira parte, a Inglaterra empatou por intermédio de outro menino que teve de fazer-se homem bem cedo – Jude Bellingham.

Numa incursão dentro da grande área, driblando quase até à pequena área, o médio finalizou a jogada com um remate cruzado e rasteiro, sem hipótese para Nyland. O jogo partia para o intervalo novamente empatado (e Kane ainda teve o 2-1 anulado por fora-de-jogo).

Heyyyyy Jude 🤤
 

Jude Bellingham a empatar a partida 🍿#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Inglaterra #betano pic.twitter.com/xxKtwcucqA

 

Talvez por ironia do destino, a Inglaterra, país onde a marcação de uma falta na sequência de cantos é rara, beneficiou da anulação de um golo norueguês aos 57 minutos exatamente nesse momento do jogo. Haaland empurrou Anderson com força excessiva e a celebração do central Heggem de nada valeu.

Agora foi a vez dos noruegueses terem um golo anulado 🥵#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Noruega pic.twitter.com/T0Zmql6uNk

A Noruega remava contra os acontecimentos e Aursnes foi lançado em campo aos 60 minutos. Pouco depois, Solbakken tomou uma decisão corajosa. Tirou Schjelderup do encontro, que ficou claramente desiludido, e lançou Antonio Nusa. Oscar Bobb também foi lançado, em detrimento de Sorloth.

As novas peças lançadas pelo selecionador fizeram com que a Noruega mantivesse a toada atacante até final, mas insuficiente para evitar o prolongamento. Ainda acertaram na barra na sequência de outro canto e Aursnes, em ação defensiva, intercetou um cruzamento praticamente em cima da linha de golo. Eram precisos mais 30 minutos de batalha.

Por vezes, há momentos em que, por mais que nos esforcemos, deitamos tudo a perder. Nyland, suplente Vlachodimos no Sevilha, tinha mostrado em vários momentos (contra o Brasil, por exemplo) que tinha valor para mais. Já tinha feito boas intervenções neste jogo. Contudo, soçobrou aos 93 minutos.

Defendeu para a frente um remate aparentemente fácil do recém-entrado Morgan Rogers e, sagaz, Jude Bellingham voltou a marcar com um encosto fácil. Leu o jogo antes de todos e sancionou os nórdicos. Bis do médio do Real que já leva seis golos neste Campeonato do Mundo. O 'iluminado' volta a ganhar brilho.

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p lang="pt">Jude Bellingham coloca a Inglaterra na frente, no prolongamento 🔥#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Inglaterra #betano pic.twitter.com/abRsMNF58r

O Inglaterra teve ainda um penálti revertido, após um mergulho de Spence, Haaland saiu após um jogo esforçado, mas o destino pareceu traçado. A Noruega não soube reagir. Faltava sempre uma pontinha de sorte ou saber. A seleção que não disputava um Mundial desde 1998 caiu mesmo, tal como na batalha de Stamford Bridge, dando muita luta. Pelo caminho, conquistou muitos corações.

Aos ingleses, resta continuar a alimentar o velho slogan: ‘Football is Coming Home’. Segue-se o vencedor do Argentina-Suíça nas meias-finais.

Chegou, um dia, a estar em compita para a Bola de Ouro. Desde há um par de anos que parecia perder fulgor na carreira, mas este Mundial lança Bellingham em força na discussão para os melhores do Mundo. Este bis aumenta a contagem de golos do médio para seis nesta edição e mostra que Jude é 'captain material'.

Foi o golo mais vistoso de todos. O extremo pegou na bola na quina da área pela esquerda, pareceu puxar do cruzamento, mas desferiu a bola com precisão para o ângulo superior mais distante. Quem o conhece não pode duvidar da intencionalidade deste gesto. Que golo.

 

Fonte: TVI

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