Nacala-a-Velha (Moçambique), 22 Jul. (AIM) – O governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, defendeu esta quarta-feira que o combate ao tracoma, doença endémica em pelo menos quatro dos 23 distritos da província de Nampula, exige um forte compromisso social para deixar de constituir problema de saúde pública.
O pronunciamento foi feito em Nacala-a-Velha, durante o lançamento da campanha de tratamento massivo contra o tracoma, que abrange igualmente os distritos de Mossuril, Memba e Eráti, em Nampula, e Inhassunge, na província da Zambézia. Nestas regiões, a doença continua a apresentar níveis preocupantes, afectando sobretudo crianças.
Na ocasião, Abdula apelou ao envolvimento das lideranças comunitárias para garantir o sucesso da campanha, exortando-as a acolher e apoiar os profissionais de saúde e activistas que, nos próximos dias, irão administrar gratuitamente o medicamento a crianças e adultos.
O governador advertiu ainda que qualquer pessoa que tente impedir o decurso da campanha será responsabilizada.
“Esta é uma campanha que pode mudar a vida de muitas famílias da nossa província. Por isso, quero deixar um pedido muito simples: quando os profissionais de saúde chegarem às vossas casas ou quando forem chamados à unidade sanitária, recebam-nos bem. Tomem o medicamento. O tratamento é gratuito, seguro e pode proteger os vossos olhos, os vossos filhos e netos. Não tenham medo. Aproveitem esta oportunidade”, apelou.
Dirigindo-se particularmente às lideranças locais, Abdula reforçou o papel que desempenham na mobilização das comunidades.
“Quero dirigir uma palavra especial aos nossos líderes comunitários, religiosos, professores e a todas as pessoas que são ouvidas nas comunidades. Precisamos da vossa ajuda. Falem com a população, incentivem as famílias a aderirem à campanha e expliquem que este tratamento protege a saúde de todos”, afirmou.
Por sua vez, o coordenador do Departamento Central de Prevenção de Doenças do Ministério da Saúde, Erlie Mior, explicou à AIM que o tracoma continua a representar um importante problema de saúde pública e que a prioridade é prevenir a transmissão nas zonas onde o agente infeccioso permanece activo.
“Estamos a realizar esta campanha nos distritos de Nacala-a-Velha, Memba, Mossuril e Eráti, na província de Nampula, e em Inhassunge, na Zambézia. Esta intervenção de administração massiva de medicamentos não começou hoje. Teve início em 2012 e as avaliações demonstram que, nestes locais, a prevalência da doença continua elevada”, explicou.
Segundo Mior, a fase activa do tracoma é mais frequente em crianças dos zero aos nove anos de idade, pelo que a intervenção preventiva é essencial para evitar complicações que podem resultar em cegueira. O tracoma é actualmente a segunda principal causa de cegueira evitável a nível mundial.
O responsável revelou ainda que, dos 161 distritos avaliados em Moçambique, 66 continuam classificados como endémicos.
“Dos 161 distritos avaliados, 66 são endémicos, o que significa que o microrganismo causador da doença continua a circular nessas zonas. Desde o início da intervenção, 58 distritos já interromperam as campanhas porque foi comprovada a redução da prevalência. Permanecem apenas estes focos isolados”, referiu.
O Ministério da Saúde considera que a combinação entre higiene individual e colectiva, acesso à água potável e melhoria do saneamento do meio constitui um elemento fundamental para eliminar o tracoma até 2030, em conformidade com as metas definidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
“O Ministério da Saúde desempenha um papel fundamental no tratamento e na prevenção desta doença. A Organização Mundial da Saúde definiu como objectivo eliminar o tracoma, por se tratar de uma enfermidade que pode conduzir à cegueira”, concluiu.
O tracoma é uma doença ocular contagiosa provocada pela bactéria Chlamydia trachomatis e constitui a segunda principal causa de cegueira evitável no mundo. A transmissão ocorre pelo contacto directo entre pessoas, através das mãos contaminadas, do uso partilhado de toalhas e capulanas, bem como por intermédio de moscas.
Quando não é tratado, o tracoma pode provocar cicatrizes na córnea e evoluir para cegueira. Para prevenir a doença, a Organização Mundial da Saúde recomenda a lavagem do rosto pelo menos duas vezes por dia, o acesso à água limpa, melhores condições de saneamento, a não partilha de toalhas e o controlo da população de moscas.
AIM
Fonte: aimnews



