InícioInternacionalOriente Médio enfrenta um risco iminente de colapso, alerta Guterres

Oriente Médio enfrenta um risco iminente de colapso, alerta Guterres

Resumo

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para a escalada da violência no Oriente Médio, com novos ataques e agravamento diplomático, podendo resultar num conflito global afetando comércio, inflação e segurança alimentar. Destacou a crise no Líbano, onde mais de 1 milhão de civis foram deslocados devido aos ataques de Israel e do Hezbollah, com sete soldados de paz da ONU mortos. Guterres elogiou os EUA nas negociações entre Israel e o Líbano, pedindo um cessar-fogo abrangente, a manutenção das tropas internacionais e respeito à soberania libanesa. Também abordou a instabilidade no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, com bloqueios afetando a economia global, pedindo negociações sobre o programa nuclear iraniano e uma nova arquitetura de segurança na região.

O secretário-geral das Nações Unidas advertiu, nesta terça-feira, sobre a continuação da escalada de violência impulsionada por novos ataques e uma rápida piora diplomática em meio à atual crise no Oriente Médio.

António Guterres apontou que a situação ameaça desencadear um conflito total com impactos globais no comércio, na inflação e na segurança alimentar.

Líbano e ameaça de guerra 

Em seu discurso ao Conselho de Segurança, o chefe das Nações Unidas destacou que a região está sendo arrastada para um abismo, e as consequências já se refletem fora do Oriente Médio.

A sessão “Mediação para o Diálogo e a Paz Duradoura”, sobre o Oriente Médio teve a liderança do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, país que neste mês exerce a liderança rotativa do Conselho.

Uma escavadora opera entre edifícios danificados e escombros em uma área residencial de Tiro, no Líbano, após um ataque aéreo.
Acnur/Dar Al Mussawir
Destruição em uma área residencial de Tiro, sul do Líbano, em 31 de maio de 2026, após um ataque aéreo israelense

O secretário-geral destacou a gravidade do drama no Líbano, que desde março enfrenta uma grave escalada com a intensificação das operações de Israel e os ataques do Hezbollah. Desde março, o sul do país foi arrasado provocando “danos alarmantes” em nível humanitário.

Guterres disse que os números do deslocamento dispararam para mais de 1 milhão de civis forçados a abandonar suas casas. Em termos de baixas, a ONU perdeu sete soldados de paz da durante o conflito, incluindo uma vítima na última semana.

Manutenção das tropas internacionais

Em relação à destruição de infraestrutura, contam-se comunidades libanesas inteiras desarraigadas e infraestruturas civis demolidas.

Mesmo com a escalada de ataques, Guterres elogiou os Estados Unidos pelo papel facilitador nas negociações entre Israel e o Líbano.

Ele exigiu um cessar-fogo abrangente, a manutenção das tropas internacionais após a saída da Força da ONU no Líbano, Unifil, e o respeito à soberania libanesa, como prevê a Resolução 1701 do Conselho de Segurança.

Golfo, Estreito de Ormuz e Irã

A instabilidade no Golfo Pérsico foi outro ponto de grande tensão abordado por Guterres. Ele vê o atual cenário “não como um cessar-fogo”, mas como um “fogo menor”, com civis e infraestruturas continuando sob ataque em diversos países.

Uma baía larga com águas de azul profundo, rodeada por montanhas áridas e rochosas e um pequeno assentamento costeiro à direita.
JZ
Bloqueio e restrições à navegação no Estreito de Ormuz estão causando um efeito cascata na economia global

O bloqueio e as restrições à navegação no Estreito de Ormuz estão causando um efeito cascata na economia global, marcado pelo aumento drástico nos preços de energia e combustíveis.

Nesta realidade houve ruptura das cadeias de suprimentos globais e o aumento de preços de fertilizantes, agravando a fome global e a inflação, e tendo os países em desenvolvimento pagando o preço mais alto pela situação.

Para estabilizar a região, Guterres pediu negociações sérias sobre a questão nuclear do Irã, exigindo garantias de que o programa nuclear iraniano seja exclusivamente pacífico. Ele também clamou por uma nova arquitetura de segurança para o Golfo, baseada na não interferência e no respeito à soberania.

Gaza, Cisjordânia e outros conflitos regionais

Com o Líbano e o Golfo em ebulição, os Territórios Palestinos e nações vizinhas “continuam sangrando”. Guterres afirmou que a Faixa de Gaza deve continuar a integrar um Estado Palestino unificado.

Da Cisjordânia, os efeitos vão desde a média de seis ataques diários por ocupantes de assentamentos considerados “extremistas”. Na área observam-se ainda a expansão de assentamentos ilegais israelenses. Os níveis de deslocamento forçado de palestinos não são observados desde 1967.

O secretário-geral também assinalou para conflitos do Iêmen e da Síria, mostrando os resultados mistos da diplomacia internacional.

Uma vista panorâmica do bairro Silwan em Jerusalém Oriental, mostrando edifícios densamente lotados em uma colina sob um céu azul claro. Algumas estruturas parecem danificadas ou em construção, refletindo o deslocamento contínuo e expansão dos assentamentos.
TBC
António Guterres pediu a todas as partes que preservem o caminho para uma paz duradoura

A mediação do conflito iemenita permitiu a libertação de 1,6 mil detidos ligados aos confrontos, no maior acordo registrado desde o início da guerra.

Libertação de funcionários da ONU

No entanto, Guterres exigiu o fim das ameaças feitas por rebeldes Houthis à navegação no estreito se Bab Al Mandeb, situado entre a Arábia e a África conectando o Mar Vermelho ao Golfo de Áden, e ao Oceano Índico e libertação imediata de funcionários da ONU detidos arbitrariamente.

No contexto sírio, após 13 anos de violência, o país começa a “provar a paz”, mesmo sendo registrados episódios de instabilidade regional e uso contínuo da força que ameaçam os avanços.

António Guterres encerrou o seu pronunciamento lembrando ao mundo que a diplomacia e os mecanismos da Carta da ONU são as únicas ferramentas viáveis para a paz.

O líder das Nações Unidas apelou ao Conselho de Segurança para que possa colocar todo o seu peso político na solução de dois Estados para Israel e Territórios Palestinos, para a qual defende que “não há alternativa e não há tempo a perder.”

Fonte: ONU


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