Resumo
Vendas fracas a retalho nos EUA pressionam yields para 4,15%-4,22%, enfraquecendo o dólar e impulsionando a procura por ativos de refúgio, como o ouro, que ultrapassou os 5.000 dólares por onça. Os dados de Dezembro indicam estagnação no consumo nos EUA, levando a expectativas de flexibilização monetária pela Reserva Federal. A queda das yields e do dólar fortalecem o rally do ouro, tornando-o mais atrativo para investidores internacionais. A procura institucional também aumenta, com o Banco Popular da China e a Índia a reforçarem as suas posições em ouro. Apesar disso, membros da Fed mantêm prudência devido à inflação elevada. O ouro lidera em 2026, com valorização de cerca de 15%-16%, destacando-se como componente estratégico em portefólios globais.
Ouro Consolida Acima Do Nível Psicológico Dos 5.000 Dólares
O ouro voltou a afirmar-se como activo dominante em 2026, negociando acima dos 5.000 dólares por onça, com o preço spot a aproximar-se de 5.044,95 dólares na sessão de 11 de Fevereiro.
O movimento surge após dados de vendas a retalho nos Estados Unidos terem revelado estagnação em Dezembro, sinalizando abrandamento do consumo e reforçando a expectativa de flexibilização monetária por parte da Reserva Federal .
O metal recupera assim da correcção registada no final de Janeiro, encontrando suporte firme no nível psicológico dos 5.000 dólares, agora convertido em zona técnica de consolidação.
Queda Das Yields E Dólar Mais Fraco Sustentam Rally
A reacção imediata do mercado foi visível no mercado obrigacionista. A yield das Treasuries a 10 anos recuou para a faixa de 4,15%-4,22%, reduzindo o custo de oportunidade de deter activos que não geram rendimento, como o ouro.
Simultaneamente, o enfraquecimento do dólar amplificou o movimento altista, tornando o metal mais atractivo para investidores internacionais.
Os mercados monetários estão a prever pelo menos dois cortes de 25 pontos base em 2026, com o primeiro potencialmente em Junho, cenário que continua a sustentar o apetite por metais preciosos.
Procura Institucional Reforça Tendência
Para além da narrativa de taxas de juro, a procura estrutural permanece sólida.
O Banco Popular da China (PBOC) prolongou em Janeiro a sua série de compras de ouro pelo 15.º mês consecutivo, reforçando o papel dos bancos centrais como compradores líquidos do metal .
Na Índia, os fluxos para ETFs de ouro atingiram níveis recorde. Em Janeiro de 2026, os fundos registaram entradas de aproximadamente ₹24.040 crore, mais do que duplicando o volume de Dezembro. Pela primeira vez, as entradas em ETFs de ouro quase igualaram as de fundos de acções, evidenciando uma clara postura defensiva dos investidores .
Fed Mantém Prudência E Inflação Continua No Radar
Apesar da leitura do mercado, membros da Fed têm adoptado tom cauteloso. A presidente da Fed de Cleveland, Beth Hammack, afirmou que não existe “urgência” em alterar as taxas, sublinhando que a inflação permanece “ainda demasiado elevada”, podendo rondar 3% em 2026, acima da meta de 2%.
Este desalinhamento entre expectativas de mercado e comunicação oficial cria um ambiente propício a volatilidade.
O relatório de emprego (Nonfarm Payrolls) e os dados do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) serão determinantes para confirmar ou contrariar o actual cenário de cortes.
Metais Em 2026: Liderança Do Ouro Mantém-se
Em termos comparativos, o ouro acumula valorização aproximada de 15%-16% em 2026, superando a prata, que regista ganhos na ordem dos 10%.
A relação ouro/prata mantém-se elevada, reflectindo a preferência dos investidores pelo metal com menor volatilidade relativa num contexto de incerteza monetária e geopolítica.
Com yields em queda, bancos centrais activos e riscos geopolíticos persistentes, o ouro consolida-se não apenas como hedge táctico, mas como componente estratégica de portefólios globais.
Fonte: O Económico





