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Portugal chega à cimeira da NATO a cumprir meta dos 2% e aposta na unidade da Aliança

O Governo português acredita que a cimeira da NATO, que arranca esta terça-feira na Turquia, representará um momento de “reafirmação da unidade da Aliança” e da “centralidade do Atlântico”, destacando que o reforço em Defesa não comprometeu as contas públicas. 

De acordo o gabinete do primeiro-ministro, Luís Montenegro, a cimeira da Aliança Atlântica, que decorre até terça-feira em Ancara, capital da Turquia, representará para o país “um momento muito importante” a vários níveis. 

Em primeiro lugar, a cimeira representará um momento de “reafirmação da unidade da Aliança e da centralidade do Atlântico para a segurança da Europa - como Portugal sempre sublinhou”. 

Esta cimeira decorre numa altura de tensão entre a Europa e os Estados Unidos da América, com a administração norte-americana a recuar no seu investimento no âmbito da Aliança Atlântica, inclusive com a retirada de tropas, argumentando que cabe aos aliados europeus um maior papel na defesa daquele continente. 

O Governo português sublinha que “cumpriu o compromisso que assumiu”, tendo investido 2,01% do PIB em Defesa - um reforço de 1,6 mil milhões de euros num ano - “sem comprometer a estabilidade das contas públicas ou as políticas sociais”.

O executivo realça ainda que dispõe “de uma trajetória credível para continuar a investir responsavelmente e com o propósito de melhor capacitar as forças armadas em linha com as metas definidas pela NATO” - na última cimeira, em Haia, os aliados subiram para 5% a meta de investimento até 2035.

Portugal assume-se como “um contribuinte líquido para a segurança transatlântica, ao participar em diversas missões da Aliança, como na Roménia, que o primeiro-ministro visitou em 2025, ou no policiamento aéreo do Báltico”, destaca o executivo.

“A Cimeira de Ancara deverá confirmar a força do vínculo transatlântico, com base na reafirmação do compromisso dos EUA para com a Aliança e a assunção de maiores responsabilidades por parte dos países europeus, adiantou a mesma fonte. 

O executivo realça que a Europa tem vindo a fazer este reforço “de há anos a esta parte” o que “permitirá um melhor equilíbrio no seio da relação transatlântica”.

Além disto, na ótica do executivo português, esta cimeira "deverá permitir reafirmar o apoio à Ucrânia, que é essencial à segurança da Europa, e sublinhar a necessidade de desenvolver as indústrias de defesa, com todas as oportunidades económicas que daí decorrem”.

No plano do desenvolvimento das indústrias do setor, o Governo realça a importância de ter uma “atenção específica às PME, centrais ao tecido produtivo” português.

A cimeira da NATO vai decorrer em Ancara, capital da Turquia, país no qual Portugal tem atualmente dois navios reabastecedores a ser construídos: o NRP Luís de Camões e o D. Dinis, com entrega prevista para 2028.

Numa altura em que os EUA exigem um reforço do pilar europeu da NATO e criticam fortemente alguns aliados, - nomeadamente países como Espanha, Itália ou o Reino Unido que recusaram ceder as suas bases militares para operações ofensivas contra o Irão, - Portugal tem mantido uma postura colaborante sem antagonizar a administração norte-americana.

O país tem sido até elogiado pela administração de Donald Trump, nomeadamente no que toca ao uso da Base das Lajes, nos Açores, e a aliança transatlântica pode inclusive ser reforçada caso Portugal escolha os F-35 norte-americanos para substituir os F-16 – decisão que não se prevê que saia desta cimeira.

O negócio está a ser disputado também por empresas europeias, como a Saab, que usam o argumento do reforço da autonomia estratégica da UE como trunfo.

 

Fonte: TVI

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