Maputo, 14 Jul (AIM) – O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu que os recursos naturais de Moçambique só poderão gerar impacto económico e social se forem acompanhados por uma estratégia de diversificação económica, industrialização e criação de cadeias de valor nacionais.
Falando na abertura da 21ª Conferência Anual do Sector Privado (CASP), evento de dois dias que decorre desde terça-feira, em Maputo, sob o lema “Produzir, Transformar e Competir: Construindo uma Economia Forte e Resiliente”, o Chefe de Estado afirmou que o país deve assumir um papel activo nas transformações económicas globais.
“Queremos um Moçambique que produz, que transforma, compete e prospera”, declarou.
Segundo Chapo, Moçambique dispõe de recursos naturais abundantes, localização estratégica e capital humano jovem, mas o principal desafio consiste em converter essas vantagens em desenvolvimento sustentável.
“Durante demasiado tempo, a África habituou-se a exportar recursos e a importar riqueza. Moçambique não pode continuar refém deste modelo”, afirmou.
O Presidente explicou que a estratégia do Governo passa por utilizar os ganhos provenientes dos sectores extractivos para dinamizar áreas como agricultura, indústria, comércio, transportes, logística, turismo, economia azul e digitalização.
Referiu que os grandes projectos de gás natural devem servir de impulso para a transformação económica, destacando que os investimentos previstos na Bacia do Rovuma ultrapassam 50 mil milhões de dólares norte-americanos, incluindo os projectos Coral Sul, Coral Norte e o empreendimento liderado pela TotalEnergies.
“Estes biliões de dólares, em si, não são suficientes para mudar Moçambique. O que vai mudar Moçambique é a nossa visão de construir uma economia diversificada”, sublinhou.
O Chefe de Estado anunciou ainda que o Governo espera concluir, no segundo semestre deste ano, a decisão final de investimento da ExxonMobil num projecto avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares.
Para sustentar a transformação económica, Chapo destacou igualmente reformas como a criação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique, a aprovação da legislação sobre minas e petróleo, a Lei do Conteúdo Local e a criação da autoridade reguladora nesta área.
Segundo o Presidente, a Visão 2050 pretende colocar o país numa nova fase de desenvolvimento, em que o sucesso económico será medido pela capacidade de transformar recursos naturais em conhecimento, emprego, rendimento e prosperidade.
“Seremos avaliados pela nossa capacidade de transformar o potencial de Moçambique em prosperidade para todos”, afirmou.
Chapo defendeu que a transformação económica dependerá do envolvimento conjunto do Governo, sector privado, academia, parceiros de desenvolvimento e sociedade civil.
“O desenvolvimento é, por natureza, tarefa de todos nós”, disse, acrescentando que a competitividade do país passa pela melhoria das instituições, previsibilidade das regras, qualidade das infra-estruturas e formação da juventude.
(AIM)
NL/mz
Fonte: aimnews


