Estás a comprar um ar condicionado, olhas para a caixa e vês três siglas diferentes: BTU, kW, entre outros. E ficas na mesma. Pior: assumes que quanto maior o número, melhor a máquina e é aqui que muita gente se engana e acaba a gastar dinheiro num aparelho errado. Vamos desfazer a confusão.
BTU quer dizer British Thermal Unit (Unidade Térmica Britânica). Por definição, é a energia necessária para aquecer meio quilo de água em cerca de meio grau, o que, dito assim, não ajuda ninguém.
Há uma imagem mais útil, usada pela agência de energia norte-americana: um BTU é sensivelmente o calor que um fósforo de madeira liberta ao arder até ao fim.

Boa pergunta e a resposta explica tudo. Um ar condicionado, na prática, não produz frio. O que faz é retirar calor de dentro para fora. É, se quiseres, um aspirador de calor.
Por isso a capacidade mede-se em BTU por hora: quanto calor a máquina consegue arrancar de uma divisão em 60 minutos. Se um aparelho diz 10.000 BTU, significa que retira da sala o equivalente a 10.000 “fósforos” de calor por hora, devolvendo-te ar mais fresco em troca.
Como um fósforo é uma quantidade ínfima de calor, os números acabam sempre na casa dos milhares. Daí os valores parecerem enormes.
Aqui está a parte que interessa a quem compra em Portugal. O BTU é sobretudo uma unidade americana, nasceu na engenharia britânica no século XIX, espalhou-se com o império, mas hoje o resto do mundo passou ao sistema métrico. Cá, o que vais ver com mais frequência é kW (quilowatts) e frigorias.

As equivalências que te safam na loja:
Ou seja, aquele portátil de 12.000 BTU que viste no folheto é, mais ou menos, um aparelho de 3,5 kW. É a mesma coisa dita em línguas diferentes.
E chegamos ao ponto mais importante deste artigo. Ao contrário de quase tudo na vida, um aparelho demasiado potente é um problema, não uma vantagem.
Se for grande demais para a divisão: o aparelho arrefece o espaço num instante e desliga-se antes de ter tempo de retirar a humidade do ar. Resultado? Uma sala que fica simultaneamente fria e húmida, aquela sensação desagradável de frio pegajoso. Além disso, os arranques e paragens constantes desgastam o compressor.
Se for pequeno demais: o problema inverte-se. O aparelho trabalha sem parar, nunca chega à temperatura que pediste, devora eletricidade e desgasta-se muito mais depressa.
Nos dois casos, gastas mais dinheiro e ficas com menos conforto.
Existe uma regra simples para estimar a potência de que precisas. Na versão portuguesa, a conta é aproximadamente esta:
Multiplica os metros quadrados da divisão por 200 e tens os BTU necessários.
Exemplos práticos:
Mas atenção: isto é um ponto de partida, não uma sentença. Há fatores que obrigam a subir a potência — divisões com muito sol direto, tetos altos, más janelas ou muitas pessoas no espaço. E outros que permitem baixar, como boa sombra e isolamento decente.
Não compres pelo número maior. Compra pelo número certo para o teu espaço. Um ar condicionado bem dimensionado arrefece melhor, gasta menos, dura mais e não te deixa a divisão com aquela humidade desconfortável.
Fonte: Zero Zero




