InícioRevistaInternacional"Tive de abandonar o comboio porque não aguentava": passageiros da CP denunciam...

"Tive de abandonar o comboio porque não aguentava": passageiros da CP denunciam falta de condições durante a vaga de calor

Viagens sem ar condicionado, carruagens onde os passageiros dizem ter enfrentado temperaturas superiores a 30 graus, pessoas a sentirem-se mal e atrasos significativos. Estes são alguns dos relatos publicados nos últimos dias nas redes sociais da CP - Comboios de Portugal, numa altura em que a empresa anunciava medidas extraordinárias para minimizar o impacto da vaga de calor na circulação ferroviária.

Enquanto a CP anunciava o reforço da monitorização dos sistemas de climatização, a limitação da ocupação de alguns comboios e a suspensão temporária de várias ligações, multiplicavam-se os testemunhos de passageiros que descrevem problemas em comboios Urbanos, Intercidades e Alfa Pendular.

Entre os relatos está o de um passageiro que viajou num Alfa Pendular com partida de Lisboa Oriente e afirma que "várias pessoas, incluindo idosos e bebés", se sentiram mal devido às elevadas temperaturas registadas no interior da carruagem. 

Outro diz ter abandonado o comboio por não conseguir suportar o calor. "Não aguentava. Isto é inadmissível, não existem condições", escreveu, numa publicação acompanhada por uma fotografia onde o visor da carruagem marcava 30,6 ºC. 

Também na Linha de Sintra surgem queixas semelhantes. "Mais um verão e a situação repete-se. É inadmissível viajar em comboios completamente lotados, com temperaturas perto dos 40ºC e sem ar condicionado a funcionar", escreveu uma passageira. "Hoje senti-me mal e fiquei com receio de desmaiar devido à temperatura dentro do comboio."

Entre os testemunhos encontra-se ainda o de uma passageira que descreve aquela que diz ter sido "a pior viagem" que "alguma vez" fez. Segundo relata, viajou num Alfa Pendular entre Porto-Campanhã e Faro praticamente sem ar condicionado, numa viagem que terminou com 45 minutos de atraso. 

"Estava um calor horrível dentro do comboio. Disseram que o ar condicionado estava avariado. Tínhamos imensas crianças que diziam que lhes doía a cabeça, bebés que não paravam de chorar, pessoas descalças e até uma jovem foi vestir a parte de cima do biquíni", escreveu.

As queixas repetem-se noutros serviços ferroviários. "Tem sido um pesadelo utilizar os comboios de Santa Apolónia-Azambuja. Há sempre apenas uma carruagem com ar condicionado ligado", refere outro utilizador. Outro relata, que num Intercidades entre Lisboa Oriente e Porto-Campanhã, foi aconselhado pelo revisor a mudar de carruagem porque aquela onde tinha lugar reservado estava sem climatização. 

Além das alegadas falhas de ar condicionado, vários passageiros relataram igualmente atrasos significativos durante os dias de maior calor, alguns superiores a uma hora, em diferentes serviços ferroviários.

Questionada pela CNN Portugal, a CP garante que "não está em causa a manutenção do ar condicionado dos comboios que se encontram a circular" e assegura que "as manutenções periódicas de todo o material circulante são escrupulosamente realizadas", incluindo os sistemas de climatização.

A empresa admite, contudo, que, apesar da manutenção regular, "podem ocorrer avarias imprevistas", que em alguns casos "só são detetadas em circulação", motivo pelo qual não podem ser reparadas de imediato.

A transportadora explica que as temperaturas excecionalmente elevadas colocam "desafios acrescidos a qualquer sistema ferroviário" e que, mesmo quando os equipamentos estão a funcionar normalmente, podem ter dificuldade em manter a temperatura pretendida.

"Quando se registam valores extremos no exterior, associados a forte exposição solar e a elevada ocupação, os equipamentos são sujeitos a um esforço acrescido e pode verificar-se alguma dificuldade em manter a temperatura ideal inicialmente definida", refere a empresa.

A CP acrescenta que "um comboio não é um edifício" e lembra que "cada abertura de portas provoca uma renovação significativa do ar e entrada de calor, obrigando o sistema a readaptar-se continuamente", sobretudo durante o verão.

A empresa explica ainda que os sistemas de climatização ferroviários seguem normas diferentes das utilizadas em edifícios e que a temperatura no interior das carruagens é regulada automaticamente em função da temperatura exterior. "O objetivo é evitar diferenças excessivas entre a temperatura interior e a exterior dos comboios", refere, acrescentando que, em dias muito quentes, os valores no interior são propositadamente superiores aos de um edifício climatizado para evitar choques térmicos quando os passageiros entram ou saem da composição.

Na resposta enviada à CNN Portugal, a transportadora reconhece igualmente que a antiguidade da frota constitui um fator condicionante. "Todo o material circulante ao serviço na CP foi fabricado há mais de 20 anos, quando as normas de referência tinham uma exigência diferente da atual, pelo que os sistemas não foram projetados para funcionar em dias de calor extremo, que se fazem sentir cada vez mais, como resultado das alterações climáticas."

Segundo a empresa, sempre que ocorre uma falha de climatização, "a prioridade da CP é garantir a segurança e minimizar o desconforto dos passageiros". Nestas situações, a tripulação acompanha permanentemente as condições no interior do comboio e, consoante cada caso, pode transferir passageiros para outras carruagens, isolar as carruagens afetadas, limitar preventivamente a sua utilização ou, "sempre que possível", substituir o material circulante.

Questionada sobre quantas ocorrências relacionadas com falhas de climatização foram registadas desde o início da vaga de calor e quantas reclamações recebeu especificamente por problemas no ar condicionado, a empresa não respondeu.

Relativamente aos relatos de passageiros que dizem ter sentido mal-estar durante as viagens, a CP refere que transporta, em média, cerca de 570 mil passageiros por dia e afirma que episódios deste tipo "são registados praticamente todos os dias do ano", não estando necessariamente relacionados com o calor. A empresa sustenta que muitos destes casos estão associados a "doença súbita", "hidratação insuficiente", "ausência de refeições adequadas" ou "falhas na toma de medicação crónica".

 

Fonte: TVI

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu nome aqui
Por favor digite seu comentário!

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

- Advertisment -spot_img