Resumo
Os mercados financeiros internacionais recuperaram fortemente no início da sessão de terça-feira, impulsionados pelo otimismo em torno de um possível acordo entre os EUA e o Irão, e pela queda acentuada nos preços do petróleo, aliviando temporariamente os receios sobre inflação e política monetária. Os futuros do Dow Jones subiram mais de 300 pontos, refletindo um renovado apetite pelo risco entre os investidores globais. A queda nos preços do petróleo foi vista como favorável para a inflação global, enquanto os investidores reavaliavam a política da Reserva Federal dos EUA. Na Ásia, o sentimento foi misto, com o Kospi na Coreia do Sul atingindo um novo máximo histórico e o Nikkei 225 no Japão recuando após realização de lucros.
Os futuros do índice Dow Jones avançaram mais de 300 pontos, enquanto os futuros do S&P 500 e do Nasdaq também registaram ganhos expressivos, reflectindo um renovado apetite pelo risco entre investidores globais.
O movimento ocorreu depois de o Presidente norte-americano Donald Trump afirmar que as negociações com o Irão para pôr fim ao conflito “estão a decorrer de forma positiva”, embora tenha advertido que Washington poderá avançar para uma ofensiva caso as conversações fracassem.
Queda Do Petróleo Alivia Pressão Sobre Mercados
A principal reacção dos mercados verificou-se no sector energético, com os preços do petróleo a registarem fortes recuos.
O West Texas Intermediate (WTI) caiu mais de 5%, enquanto o Brent também recuou significativamente, à medida que investidores começaram a antecipar um possível desanuviamento das tensões no Médio Oriente.
A redução dos preços do crude foi interpretada pelos mercados como um factor potencialmente favorável para a inflação global, sobretudo num momento em que vários bancos centrais continuam preocupados com os efeitos persistentes dos custos energéticos sobre os preços ao consumidor.
Nas últimas semanas, o petróleo elevado vinha a reforçar receios de manutenção prolongada de taxas de juro elevadas nas principais economias.
Investidores Reavaliam Política Da Reserva Federal
Apesar da melhoria momentânea do sentimento dos mercados, os investidores continuam atentos às perspectivas da política monetária norte-americana.
Segundo os dados citados no relatório, os mercados passaram a atribuir uma probabilidade de 8,5% a uma eventual subida das taxas de juro pela Reserva Federal já em Julho, um aumento significativo face aos apenas 0,9% registados há um mês.
A alteração reflecte a preocupação persistente de que pressões inflacionistas relacionadas com energia possam limitar a margem da Fed para iniciar cortes de juros no curto prazo.
Ainda assim, o desempenho recente das bolsas norte-americanas continua relativamente robusto.
Na semana passada, o S&P 500 registou a sua mais longa sequência de ganhos semanais desde o final de 2023, enquanto o Dow Jones acumulou a terceira semana positiva nas últimas quatro semanas.
Ásia Reage Entre Optimismo E Realização De Lucros
Nos mercados asiáticos, o sentimento foi mais misto.
Na Coreia do Sul, o índice Kospi atingiu um novo máximo histórico, beneficiando do optimismo em torno das negociações entre Washington e Teerão.
Já no Japão, o Nikkei 225 recuou após movimentos de realização de lucros, depois de recentemente ter ultrapassado pela primeira vez a marca dos 65 mil pontos.
O vice-governador do Banco do Japão, Ryozo Himino, afirmou que a autoridade monetária continua a monitorar atentamente os desenvolvimentos no Médio Oriente antes de decidir o calendário de futuras subidas de juros, segundo a Reuters.
Na China, os mercados abriram praticamente sem alterações, enquanto Hong Kong registou ligeiras perdas após o feriado público de segunda-feira.
Geopolítica Continua A Ditar O Ritmo Dos Mercados
Os desenvolvimentos reforçam o grau de dependência actual dos mercados financeiros em relação à evolução das tensões geopolíticas no Médio Oriente.
A trajectória do petróleo permanece particularmente sensível às negociações entre Washington e Teerão, numa altura em que investidores procuram avaliar até que ponto um eventual acordo poderá aliviar pressões sobre energia, inflação e política monetária global.
Ao mesmo tempo, qualquer deterioração súbita das negociações poderá rapidamente inverter o actual sentimento positivo e reacender receios sobre abastecimento energético, inflação e desaceleração económica global.
Fonte: O Económico






