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Petróleo Oscila Acima Dos 95 USD Com Estreito De Hormuz Ainda Paralisado E Mercado Refém De Expectativas Diplomáticas

Os preços do petróleo registam um comportamento misto nesta quarta-feira, num contexto em que o mercado continua a oscilar entre sinais de potencial desanuviamento geopolítico e uma realidade operacional marcada por fortes constrangimentos na oferta global.O Brent mantém-se acima dos 95 dólares por barril, enquanto o WTI negocia na casa dos 91 dólares, após quedas acentuadas nas sessões anteriores, num movimento que reflecte tanto a correcção técnica como a incerteza persistente quanto à evolução do conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão, segundo a (Reuters) e a (Bloomberg).Apesar de sinais de possível retoma das negociações entre Washington e Teerão nos próximos dias, o mercado continua a reagir sobretudo a expectativas, e não a desenvolvimentos concretos. Analistas citados pela Reuters sublinham que há “mais esperança do que progresso efectivo” nas dinâmicas diplomáticas em curso.O principal factor de sustentação dos preços reside no bloqueio persistente do Estreito de Hormuz, uma das mais importantes artérias energéticas do mundo.Mesmo após um cessar-fogo temporário, o tráfego no estreito permanece a uma fracção dos níveis normais, com interrupções significativas no fluxo de crude para mercados na Ásia e Europa, de acordo com a Reuters .A situação é agravada pelo reforço das medidas dos Estados Unidos, que incluem o bloqueio das exportações iranianas por via marítima e a intercepção de navios petroleiros, conforme reporta a Bloomberg.Um dos sinais mais claros da actual conjuntura é o desfasamento entre os preços futuros e o mercado físico.Segundo a Reuters, os carregamentos de crude estão a ser negociados com prémios elevados, com destaque para o WTI Midland entregue na Europa, que atingiu um prémio recorde de 22,80 dólares por barril face aos benchmarks europeus .Este fenómeno evidencia uma escassez efectiva de oferta, pressionando refinarias e elevando os custos energéticos globais.A pressão sobre a oferta deverá intensificar-se com a decisão dos Estados Unidos de não renovar as isenções que permitiam a comercialização de petróleo iraniano e russo, segundo fontes citadas pela Reuters e pela Bloomberg.Ao mesmo tempo, dados preliminares indicam um aumento das reservas de crude nos Estados Unidos, o que poderá introduzir alguma pressão descendente sobre os preços, embora com impacto limitado face ao contexto geopolítico, de acordo com a Bloomberg.O mercado petrolífero encontra-se num momento de elevada incerteza, marcado por uma tensão entre expectativas de resolução diplomática e constrangimentos logísticos persistentes.Mesmo num cenário de desanuviamento, a recuperação da oferta será gradual. A Bloomberg indica que entre 2 a 3 milhões de barris por dia poderão regressar ao mercado nas primeiras semanas após um eventual acordo .Até lá, os preços deverão continuar sensíveis às dinâmicas geopolíticas, com a realidade física da oferta a desempenhar um papel determinante na formação dos preços.

Fonte: O Económico

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