InícioSaúdeCampanhas de desinformação afetam combate ao vírus ebola

Campanhas de desinformação afetam combate ao vírus ebola

Resumo

Na República Democrática do Congo, foram registados mais de 900 casos suspeitos da cepa Bundibugyo do vírus ebola, com 220 mortes possivelmente relacionadas. A OMS confirmou 101 casos e 10 mortes laboratorialmente. A desconfiança da comunidade local nas autoridades externas tem dificultado os esforços de contenção, com dois centros de tratamento incendiados e mais de 100 mil deslocados. Protocolos rigorosos de sepultamento têm gerado revolta, com a proibição de velórios com mais de 50 pessoas e a segurança dos sepultamentos a cargo de forças armadas. A OMS está a trabalhar com líderes locais para melhorar a segurança dos profissionais de saúde e envolver a comunidade. Não existem vacinas ou tratamentos aprovados para o vírus Bundibugyo, mas a OMS está a priorizar medicamentos em ensaios clínicos. Cerca de US$ 3,9 milhões foram disponibilizados do Fundo de Contingência para Emergências da OMS para financiar as operações no terreno.

Foram registrados mais de 900 casos suspeitos da cepa Bundibugyo do vírus ebola na República Democrática do Congo, RD Congo, e 220 mortes possivelmente associadas à doença.

Nesta segunda-feira, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, Tedros Ghebreyesus disse que, até agora, 101 casos e 10 mortes foram confirmados em laboratório como associados ao ebola.

Centros de tratamento incendiados

Na RD Congo, epicentro do surto, a OMS elevou sua avaliação de risco nacional de alto para muito alto.

No entanto, os esforços para conter a doença estão sendo dificultados pela desconfiança da comunidade local em relação às autoridades externas, o que aumenta significativamente o risco de transmissão.

Nos últimos dias, dois centros de tratamento foram incendiados na região, que tem sido assolada por intensos combates, causando o deslocamento de mais de 100 mil pessoas.

A diretora de Resposta a Emergências da OMS África, Marie Roseline Belizaire, disse à ONU News que os ataques estão ligados a campanhas de desinformação que circulam nas redes sociais.

Segundo ela, essas informações falsas estão atrasando significativamente as investigações dos casos e limitando a capacidade das equipes de saúde de chegar às comunidades afetadas. 

Ciza Nyalundja, oficial de WASH da UNICEF, explica as medidas de prevenção do Ebola aos alunos de uma escola em Bunia, província de Ituri, República Democrática do Congo.
Unicef/UNI997618/Carmel Ndomb
Um especialista em água e saneamento do Unicef explica as medidas de prevenção do ebola a alunos de uma escola primária em Bunia, Ituri, República Democrática do Congo

Regras em torno dos sepultamentos

Os protocolos rigorosos que envolvem o sepultamento de vítimas suspeitas de Ebola têm sido motivo de revolta na população. 

Velórios com mais de 50 pessoas foram proibidos pelas autoridades no nordeste da República Democrática do Congo, e soldados armados e policiais têm feito a segurança dos sepultamentos realizados por profissionais de saúde.

Segundo Belizaire, a OMS está trabalhando com líderes locais tradicionais e curandeiros para intensificar o envolvimento da comunidade e melhorar a segurança dos profissionais de saúde externos.

As famílias das vítimas têm permissão para se despedir dos seus entes queridos, mas, para protegê-las do vírus, não lhes é permitido tocar no corpo. 

A especialista disse que a OMS oferece equipamentos de proteção à família, para que possam ajudar a colocar o ente querido num saco para cadáveres e rezar por ele.

Medicamentos em ensaio clínico

Apesar de os surtos já ocorrerem há quase 20 anos, ainda não existem vacinas ou tratamentos aprovados para o vírus Bundibugyo.

A OMS recomendou priorizar dois medicamentos em ensaios clínicos e avaliar o antiviral obeldesivir como tratamento para pessoas que tiveram contatos de alto risco.

A agência de saúde da ONU está ampliando urgentemente as operações no terreno, incluindo rastreamento de contatos, estabelecimento de centros de tratamento, fortalecimento da capacidade laboratorial, gestão de casos, prevenção e controle de infecções, comunicação de riscos e engajamento comunitário. 

Cerca de US$ 3,9 milhões foram liberados do Fundo de Contingência para Emergências da OMS para ajudar a financiar essas medidas.

Fonte: ONU

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