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FIFA autoriza Balogun a jogar frente à Bélgica após conversa com Trump (e precedente de Cristiano Ronaldo)

O papel do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na surpreendente decisão da FIFA de permitir que o avançado Folarin Balogun seja elegível para jogar frente à Bélgica, esta segunda-feira, em Seattle, está a ser alvo de um intenso escrutínio.

Uma fonte com conhecimento do processo disse à CNN, no domingo, que Trump falou esta semana com o presidente da FIFA, Gianni Infantino, depois da expulsão de Balogun, e pediu ao líder do organismo que reavaliasse o lance. Na tarde de domingo, o organismo que tutela o futebol mundial anunciou que iria recorrer a uma regra pouco utilizada para suspender, durante um ano, o castigo automático de um jogo aplicado ao avançado, permitindo-lhe alinhar nos oitavos de final frente à Bélgica.

A notícia de que o avançado de 25 anos deixaria de cumprir a suspensão automática de um jogo, aplicada após um cartão vermelho direto na vitória dos Estados Unidos por 2-0 sobre a Bósnia-Herzegovina, nos 16 avos de final, apanhou muitos de surpresa. Durante dias, a seleção norte-americana e os seus adeptos partiram do princípio de que não existia qualquer mecanismo que permitisse anular o castigo.

Depois surgiu uma notícia do The Athletic, seguida de um comunicado oficial da FIFA, confirmando que tinha sido concedido um alívio disciplinar. A comissão disciplinar do organismo decidiu recorrer ao Artigo 27 do seu código disciplinar, que permite ao órgão judicial suspender, total ou parcialmente, a aplicação de uma sanção disciplinar em campo durante um período probatório.

Existem precedentes para uma decisão deste tipo, mas nunca em circunstâncias tão excecionais. Balogun foi expulso aos 64 minutos, após revisão do VAR, por uma entrada em que pisou o tornozelo do defesa bósnio Tarik Muharemovic — uma infração classificada como "jogo violento grave".

O avançado tem sido uma das principais figuras do sistema de pressão alta implementado por Mauricio Pochettino, afirmando-se como o melhor marcador da seleção norte-americana neste Mundial, com três golos em quatro jogos. Frente à Bósnia-Herzegovina marcou ainda durante a primeira parte, antes de ser expulso.

Sem a intervenção da FIFA, a infração teria impedido Balogun de disputar o encontro desta segunda-feira. Agora, segundo a comissão disciplinar, a suspensão de um jogo fica suspensa "por um período probatório de um ano".

Na prática, o cartão vermelho mantém-se no registo disciplinar do jogador, mas a suspensão obrigatória fica congelada. Caso cometa uma infração semelhante durante esse período, o castigo será imediatamente reativado, acumulando-se com quaisquer novas sanções.

A Federação Norte-Americana de Futebol mostrou-se satisfeita com o desfecho, mas garantiu que o foco permanece no próximo jogo.

"Aceitamos a decisão da Comissão Disciplinar e estamos satisfeitos por Folarin Balogun estar elegível para competir amanhã [esta segunda-feira]", refere a US Soccer em comunicado divulgado no domingo. "Toda a nossa atenção está centrada no jogo dos oitavos de final frente à Bélgica, em Seattle, e esperamos continuar a contar com o apoio dos nossos fantásticos adeptos."

Falando aos jornalistas no domingo, Mauricio Pochettino classificou a decisão da FIFA como "justa". O treinador, de 54 anos, acrescentou que não esteve pessoalmente envolvido no processo que levou à suspensão do castigo.

"Já fomos suficientemente castigados contra a Bósnia-Herzegovina ao jogar com dez homens durante 30 minutos, numa decisão completamente injusta. Não digo isto apenas por ser selecionador dos Estados Unidos, tenho de defender a minha equipa. (...) 99,9% das pessoas concordam que foi um cartão vermelho injusto. Talvez hoje tenhamos tido sorte."

Uma reviravolta desta dimensão, envolvendo um dos países anfitriões do Mundial, dificilmente deixaria de levantar dúvidas. Mas o papel desempenhado por Trump — sobretudo tendo em conta a sua relação próxima com Gianni Infantino — promete aumentar ainda mais o escrutínio.

Segundo a fonte ouvida pela CNN, a conversa entre Trump e Infantino ocorreu poucos dias antes de a FIFA anunciar a suspensão do castigo.

Trump recorreu à rede social Truth Social para elogiar a decisão.

"Obrigado à FIFA por ter feito o que estava certo e por corrigir uma grande injustiça! Presidente DONALD J. TRUMP", escreveu.

A intervenção do presidente norte-americano deverá agora alimentar novas questões sobre a influência que poderá ter exercido na decisão da FIFA.

No sorteio do Mundial, realizado no final do ano passado, a FIFA chegou mesmo a atribuir a Trump um "Prémio da Paz". A iniciativa foi amplamente interpretada como uma tentativa de agradar ao presidente norte-americano, depois de este não ter conseguido obter o tão desejado Prémio Nobel da Paz.

Inicialmente, um representante da FIFA não respondeu ao pedido de comentário da CNN sobre um eventual envolvimento da Casa Branca na decisão de permitir que Balogun jogasse. Entretanto, a CNN voltou a contactar o organismo para obter uma reação à informação sobre a conversa entre Trump e Infantino.

Os adversários dos Estados Unidos nos oitavos de final reagiram com surpresa à decisão e garantem estar a analisar os próximos passos.

"A decisão contradiz diretamente as disposições do Regulamento da Competição do Mundial FIFA 2026", afirmou, em comunicado divulgado no domingo, a Federação Belga de Futebol (RBFA). "Para salvaguardar os direitos legítimos de todas as seleções participantes e proteger os princípios fundamentais do fair play no nosso desporto, tanto neste Mundial como nas futuras edições da competição, a RBFA está a avaliar todas as opções possíveis."

Também o selecionador belga, Rudi Garcia, criticou a FIFA na conferência de imprensa de antevisão do encontro.

"Não sabia que, nos escritórios da FIFA, o dia 5 de julho correspondia ao 1 de abril. Na Europa foi uma descoberta para mim. Acho que devem consultar o comunicado... Penso que lá está muita coisa."

"A federação belga não está apenas a defender-se a si própria nem à seleção nacional. Está a defender o futebol em geral. Está a defender a sua integridade. Está a defender a sua ética."

Pochettino respondeu às críticas, elogiando Garcia.

"Conheço o Rudi, gosto muito dele. É claro que vai defender a sua equipa."

Não é a primeira vez que a FIFA recorre ao Artigo 27 para permitir que um jogador esteja disponível para um grande torneio.

Em novembro, o capitão de Portugal, Cristiano Ronaldo, enfrentava uma suspensão de três jogos por conduta violenta, depois de ter visto um cartão vermelho direto por uma cotovelada num encontro de qualificação frente à República da Irlanda.

Depois de cumprir apenas um jogo de castigo, frente à Arménia, a comissão disciplinar da FIFA converteu os dois jogos restantes num período probatório de um ano, justificando a decisão com o historial disciplinar exemplar do jogador. Essa decisão permitiu a Ronaldo disputar os primeiros jogos da fase de grupos deste Mundial.

A decisão agora tomada relativamente a Balogun representa uma aplicação semelhante desse poder discricionário, permitindo que uma das principais figuras da seleção anfitriã permaneça em competição no momento mais importante.

Fonte: CNN Portugal

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