InícioRevistaInternacionalCarvalhal apresentado no Famalicão: «Não fazemos rotura total»

Carvalhal apresentado no Famalicão: «Não fazemos rotura total»

Carlos Carvalhal foi apresentado esta segunda-feira como novo treinador do Famalicão e anunciou a construção de uma equipa competitiva, sem medo de qualquer adversário, destacando também a ligação familiar ao concelho.

«Quero uma equipa competitiva, que olhe olhos nos olhos todos os adversários e pense que pode ganhar, seja ele qual for (…) Contem com o Famalicão para estragar algumas coisas em alguns campos. O objetivo é tornar a equipa competitiva e que não tenha medo de jogar em campo nenhum, nem contra qualquer adversário».»

«Antes de mais, uma palavra para o trabalho feito pelo Hugo e pela equipa técnica. Fizeram um trabalho excelente, tanto foi excelente que foram para um clube muito bom em França. Reflete o excelente trabalho que fizeram. Também agradecer publicamente pelo facto de ter falado comigo e ter-se disponibilizado para dar todas as informações que eventualmente eu necessitasse. Obviamente não fazemos rotura total. Vamos aproveitar tudo o que entendemos que estava bem feito e tentar criar a nossa matriz dentro do que foi bem feito e tentar em determinadas coisas melhorá-las e tentar fazer diferente, mas numa linha de continuidade num primeiro momento. Se calhar vai ser visível nos jogos-treino que vamos fazer que vai haver coisas diferentes. Senão, não fazia sentido estarmos aqui.»

«Em primeiro lugar, estive um ano sem treinar por opção. Fazemos isso com alguma regularidade, de quatro em quatro anos. A bem da nossa saúde mental. Por isso, é que andamos aqui saudáveis. Entendemos que é importante sair do contexto no Rio Ave foi assim. Depois do Swansea estivemos um ano sem trabalhar por opção, voltámos e acho que fizemos um trabalho com, com ideias novas, arejados. Tinha vontade de trabalhar, tenho muita vontade de trabalhar. Estar na Sport TV levou-nos a ter que fazer exercícios das tendências dos diversos treinadores, estivemos a comentar jogos de Champions e do Mundial, perceber o que as equipas faziam em termos táticos e estruturais.»

«É um prazer grande treinar o Famalicão. Há várias razões pelas quais digo isto. A primeira, já conheço o presidente há muitos anos, já conversámos várias vezes, já almoçámos entre amigos, dou os parabéns pelas instalações de excelência que o clube tem neste momento. Conheço o André [Vilas Boas], trabalhámos juntos no Rio Ave e ficámos amigos, é uma pessoa de elevada competência. As aquisições nunca falham. E no fundo toda a estrutura de todo o clube.»

«Segundo motivo, sem dúvida é um clube que tem paixão, que tem adeptos que vibram que gostam do clube. O João Mário, meu adjunto, foi jogador cá e disse que as pessoas gostam muito do clube. É importante para nós. Se fizermos um historial, tudo o que foi feito e bem feito tem a ver com a alma do clube. Não temos receio de nos ligarmos aos adeptos de forma a que estejam do nosso lado.»

«Terceiro ponto importante, também pelo facto de ter uma equipa de jovens com elevado potencial. Têm vontade de jogar, de vencer, de evoluir. Temo-nos sentido confortáveis a fazer evoluir os jogadores e as equipas e vamos conseguir aqui. Por último, o meu pai tem demência, infelizmente, e é de Famalicão, metade do meu sangue é de Famalicão. Nasceu em Brufe, ainda agora temos aqui família, primos do meu pai. Passei muito tempo na altura da minha infância aqui em Famalicão a visitar tios do meu pai e também os primos e fiquei muito satisfeito quando pude dizer ao meu pai que vinha para aqui. Ficou todo contente, é muito importante no meu íntimo, é algo que vou transportar toda a época.»

«Chegámos a ter conversa em família sobre a primeira opção, disse que gostava de treinar o Famalicão. Poderia ter ido para outras situações como Médio Oriente, Brasil, México, financeiramente propostas quase irrecusáveis, fomos dizendo que não porque tínhamos em casa a vontade de estar perto da família. Queria estar perto da família, do meu pai, do meu sogro. Tenho um neto de três anos que agora é do Fama, tenho outro de um mês e meio. Esta nossa vida é complicada porque muitas vezes para perseguirmos carreira deixamos muito para trás. O preço é muito alto. Parte significativa da educação do meu filho e da minha filha ficou a cargo da minha mulher. Isto custa. Eu não queria nem quero passar pela mesma coisa com os meus netos. Quero viver com os meus netos o que não vivi com os meus filhos. Nesse sentido, a proximidade é também muito importante».

 

Fonte: TVI

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