InícioRevistaTecnologiaA Placa de Nazca: o motor sísmico escondido sob o Pacífico

A Placa de Nazca: o motor sísmico escondido sob o Pacífico

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Sempre que a América do Sul treme com força, como aconteceu esta segunda-feira, 10 de agosto de 2026, na Colômbia, o nome que volta a surgir nos boletins geológicos é sempre o mesmo: placa de Nazca. Mas por que razão esta "falha" se traduz em tantos mortos e feridos, em tanta destruição?

É esta placa oceânica, quase desconhecida do grande público até se tornar sinónimo de tragédia, que está por trás de alguns dos terramotos mais violentos alguma vez registados no planeta.

A placa de Nazca é uma placa tectónica oceânica que ocupa uma vasta faixa do Oceano Pacífico oriental, ao largo da costa ocidental da América do Sul. Estende-se por cerca de 7.000 quilómetros, desde o sul do Chile até à região do Panamá, fazendo fronteira direta com o Chile, o Peru, o Equador e a Colômbia.

Nasceu, geologicamente falando, de uma fragmentação da antiga placa de Farallón, no início do Mioceno, após a separação da placa de Cocos. Desde então, tem vindo a mergulhar lentamente por baixo da placa Sul-Americana, um processo conhecido como subducção, a uma velocidade que ronda os 6 a 8 centímetros por ano, uma das mais rápidas do planeta em zonas deste tipo.

O choque entre a placa de Nazca e a placa Sul-Americana não é um evento pontual: é um empurrão contínuo, há milhões de anos, que literalmente ergueu a Cordilheira dos Andes. À medida que a placa oceânica, mais densa, mergulha sob o continente, gera-se fricção e uma acumulação gigantesca de tensão ao longo da zona de contacto, a chamada fossa Peru-Chile (ou fossa do Atacama), que chega a atingir 8.000 metros de profundidade.

Quando essa tensão acumulada é finalmente libertada de forma abrupta, a terra treme. E, por vezes, o deslocamento do fundo oceânico também desloca a coluna de água acima dele, gerando tsunamis.

Esta faixa de subducção faz parte do célebre Anel de Fogo do Pacífico, o arco de cerca de 40.000 km que rodeia o oceano Pacífico e concentra a esmagadora maioria dos vulcões e terramotos do mundo.

A placa de Nazca é um dos "segmentos" mais ativos deste anel, ao lado da , da fossa do Japão ou da fossa das Aleutas.

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p id="caption-attachment-1135202" class="wp-caption-text">A Nazca é uma placa oceânica de ~7.000 km que mergulha sob a placa Sul-Americana (subducção), tendo erguido os Andes e gerado a fossa Peru-Chile. A lista de sismos M≥7 inclui de 1730 até ao mais recente, o de Chocó, Colômbia, a 10 de agosto de 2026 (M7,4), que ocorreu há apenas 3 dias e já matou mais de uma centena de pessoas.

Foi precisamente por causa da placa de Nazca que o Chile se tornou um dos laboratórios naturais mais estudados da sismologia mundial. Foi ali, em Valdivia, a 22 de maio de 1960, que ocorreu o maior terramoto alguma vez registado por instrumentos: magnitude 9,5, seguido de um tsunami que atravessou o Pacífico e atingiu o Havai, o Japão e as Filipinas.

Estudos posteriores, nomeadamente sobre o sismo de 2015 no Chile (magnitude 8,3), permitiram aos sismólogos chilenos e franceses identificar um padrão relativamente regular de grandes sismos com mais de 8 de magnitude a cada 60 a 80 anos ao longo desta fronteira de placas.

Ao cruzar dados sismológicos com registos históricos do terramoto de 1730, que também gerou um tsunami com danos registados a mais de mil quilómetros de costa, com ecos sentidos até ao Japão, os investigadores concluíram que a região de Valparaíso, perto de Santiago, acumula tensão desde então sem uma libertação equivalente, o que motivou avisos sobre um possível grande terramoto futuro na zona.

Esse tipo de trabalho, cruzar geodesia, história sísmica e modelos de rutura de falha, tornou-se a base de como hoje se avalia o risco sísmico em toda a costa oeste sul-americana, do Chile à Colômbia.

Vale a pena notar que nem todos os grandes sismos da região são causados pela placa de Nazca.

O duplo terramoto que atingiu a Venezuela a 24 de junho de 2026 (magnitudes 7,2 e 7,5), por exemplo, teve origem numa falha de deslizamento horizontal na fronteira entre a placa das Caraíbas e a placa Sul-Americana, um mecanismo tectónico diferente do da subducção da Nazca.

Já o sismo de 10 de agosto de 2026 na Colômbia foi, segundo o Serviço Geológico Colombiano e o USGS, uma rutura dentro da própria placa de Nazca, a cerca de 96 km de profundidade, enquanto esta continua o seu mergulho sob o continente.

(Lista não exaustiva — inclui os eventos mais significativos e mediáticos das últimas décadas ao longo da fronteira Nazca–Sul-Americana.)

A combinação de uma velocidade de convergência elevada, uma fronteira de placas com mais de 7.000 km e populações densas ao longo de toda a costa oeste sul-americana faz da placa de Nazca uma das zonas mais monitorizadas da sismologia global.

Cada , serve para afinar os modelos de rutura, os mapas de risco e os sistemas de alerta de tsunami que protegem milhões de pessoas do Chile à Colômbia.

 

Fonte: Pplware

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