Resumo
O Banco Mundial lançou o programa SET4Jobs para capacitar 18 milhões de jovens na África Oriental e Austral até 2034, com um financiamento de 972 milhões de dólares. A região enfrenta desafios estruturais de emprego e produtividade, com milhões de jovens desempregados ou fora do sistema educativo e laboral. O programa visa alinhar formação com setores de alto potencial, como agronegócio, energia e turismo. Em Moçambique, o programa é crucial para impulsionar a diversificação económica e absorver a população jovem que entra no mercado de trabalho. O Conselho Interuniversitário da África Oriental coordenará o programa, focando-se na harmonização curricular e no fortalecimento do ensino técnico e superior. O Vice-Presidente do Banco Mundial destaca a importância do investimento no capital humano para impulsionar a transformação económica e a produtividade.
O programa surge num contexto de forte pressão demográfica e de défice estrutural de emprego na região. Estima-se que cerca de oito milhões de jovens ingressem anualmente no mercado de trabalho na África Oriental e Austral, mas menos de um milhão consegue obter emprego remunerado. Paralelamente, aproximadamente 6,5 milhões de jovens — dos quais 3,6 milhões são mulheres — não se encontram nem na escola nem em qualquer actividade laboral.
Um Desafio Estrutural de Emprego e Produtividade
A urgência não é apenas quantitativa, mas estrutural. A região enfrenta um desequilíbrio persistente entre crescimento demográfico e capacidade de absorção produtiva, num contexto de economias ainda fortemente dependentes de sectores primários e informais.
O Banco Mundial sublinha que a criação de mais e melhores empregos exige investimento sustentado em infra-estruturas físicas e humanas, desenvolvimento de competências relevantes para elevar produtividade e salários, reformas que promovam ambiente favorável ao investimento e mobilização de capital privado.
O SET4Jobs foi concebido precisamente para alinhar formação técnica e superior com cadeias de valor com maior potencial de crescimento e geração de emprego, incluindo agronegócio, energia, saúde, turismo e indústria transformadora.
Implementação Regional com Enfoque em Moçambique
O programa será implementado em Comores, República Democrática do Congo, Madagáscar, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Tanzânia e Zâmbia .
No caso de Moçambique, a iniciativa ganha relevância estratégica num momento em que o país procura acelerar a diversificação económica, impulsionar o agronegócio, expandir cadeias de valor energéticas e industriais e absorver uma crescente população jovem que entra anualmente no mercado de trabalho.
O Conselho Interuniversitário da África Oriental (IUCEA) coordenará o programa a nível regional, promovendo harmonização curricular, fortalecimento do ensino técnico e superior, investigação aplicada e incubação empresarial.
Capital Humano Como Motor de Transformação Económica
Segundo Ndiamé Diop, Vice-Presidente do Banco Mundial para a África Oriental e Austral, o programa constitui um investimento transformador no principal activo do continente — a juventude — com forte envolvimento do sector privado para garantir alinhamento entre formação e necessidades reais da economia.
A lógica subjacente é clara: a transformação económica sustentável depende da capacidade de elevar competências, aumentar produtividade e conectar formação com sectores com potencial de expansão.
Para países como Moçambique, onde cerca de meio milhão de jovens ingressa anualmente no mercado de trabalho, a questão do emprego juvenil não é apenas social, mas macroeconómica e fiscal. A incapacidade de absorção produtiva gera pressão sobre informalidade, migração, instabilidade social e limitações na expansão da base tributária.
Uma Plataforma de Escala e Integração Regional
O SET4Jobs será implementado ao longo de oito anos, com abordagem faseada e criação de uma plataforma regional de partilha de conhecimento, permitindo troca de experiências entre países participantes .
Para além do financiamento IDA, o programa pretende mobilizar serviços de assessoria da International Finance Corporation e atrair parceiros de desenvolvimento e capital privado.
A ambição é clara: não se trata apenas de formar jovens, mas de criar um ecossistema regional de competências alinhado com transformação estrutural das economias africanas.
Implicações Estratégicas Para Moçambique
A integração de Moçambique neste programa poderá reforçar prioridades já inscritas na agenda nacional, incluindo desenvolvimento do agronegócio, expansão energética, industrialização leve e fortalecimento do ensino técnico-profissional.
A questão central será a capacidade de articulação entre ministérios sectoriais, instituições de ensino, sector privado e parceiros de desenvolvimento, garantindo que o financiamento se traduza em competências efectivamente absorvidas pelo mercado.
Num continente jovem, a demografia pode ser dividendo ou risco. A diferença residirá na qualidade das políticas e na execução das reformas.
Fonte: O Económico






