Se costumas acompanhar os meus artigos aqui na Leak sobre tecnologia e segurança na internet, sabes perfeitamente que as autoridades e as ligas de futebol declararam uma guerra aberta aos serviços de IPTV pirata. O que é obviamente normal e natural. É um mercado que está a crescer cada vez mais, e que já movimenta muitos milhões de euros todos os anos.
Em Portugal, esta “ânsia” ainda não se nota muito, mas… Em Espanha… As medidas têm sido de uma agressividade sem precedentes!
Pois bem, a verdade é que esta perseguição cega acabou de bater no fundo. De acordo com um relatório detalhado feito pelo Observatório Aberto de Interferência em Redes (OONI), a estratégia drástica usada para tentar travar a transmissão dos jogos de futebol resultou num autêntico desastre digital. Estamos a falar de cerca de 500 mil sites totalmente legais foram bloqueados por arrasto.
Apanhar piratas de corda ao pescoço é uma coisa, mas deitar abaixo meio milhão de domínios inocentes mostra que a linha que separa o combate à fraude da censura pura e simples está cada vez mais tremida.

O método que a Liga Espanhola de Futebol (LaLiga) impôs às operadoras baseia-se num sistema de bloqueio “dinâmico“. Ou seja, os fornecedores de internet barram os endereços IP dos servidores piratas em tempo real assim que a bola começa a rolar.
Só que há um enorme problema nesta estratégia. Os servidores ilegais partilham muitas vezes o mesmo IP com milhares de sites legítimos alojados em serviços de nuvem como a Cloudflare ou a Amazon.
De facto, em dias de jogo, entre o apito inicial e o final da partida, o sistema de segurança bloqueou o acesso a páginas oficiais da Amnistia Internacional, da Greenpeace Argentina, da Cool Earth e até da organização científica Berkeley Earth. Ou seja, para tentar apagar o sinal de uma transmissão ilegal de futebol, as operadoras acabaram por calar organizações de direitos humanos e ativistas ambientais à escala global.
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As coisas vão ainda mais longe. Afinal, para conseguir identificar e filtrar o tráfego pirateado, a empresa responsável pelo sistema recorreu a técnicas de interceção de rede muito intrusivas, recorrendo a uma abordagem semelhante a um ataque informático conhecido como “Man-in-the-Middle” (homem no meio).
Ou seja, são técnicas de pirataria, para tentar lutar contra piratas.
Não pode valer tudo.
Tu por aí, concordas que se sacrifique o acesso a sites legítimos e a privacidade na rede para proteger o negócio do futebol, ou achas que esta caça às bruxas contra a IPTV já passou todas as marcas aceitáveis?
Fonte: Zero Zero






